
Whitesnake – “Flesh & Blood” (2019)
Frontiers Music | Hellion Records Brazil
#HardRock
Para fãs de: Winger, Motley Crue, Dokken, Scorpions, Extreme
Nota: 9,0
Como já disse em outras resenhas sobre a banda, volto a dizer aqui: Deixe de ser um babaca de internet e pare de falar que a voz de David Coverdale não é a mesma, que ele não atinge mais notas altíssimas ou outras asneiras, ok? Isso é óbvio! O cara já tem quase 70 anos de idade! Sua voz agora é bem mais grave e aveludada do que antigamente, e isso não significa que é ruim ou meia boca! Aprenda isso de uma vez por todas!
“Flesh & Blood” chega cheio de expectativas, já que é o primeiro álbum com composições inéditas dessa nova formação contendo Joel Hoekstra (guitarra). “The Purple Album” foi um aperitivo pois era basicamente um álbum de covers da MKIII e MKIV do Deep Purple, e nele já pudemos notar que além de Reb Beach ganhar mais espaço nos solos, fez com Joel uma das duplas mais sensacionais do Hard Rock contemporâneo. Os caras simplesmente HUMILHAM, e nesse novo álbum foi tanta “humilhação” que chegou a ser covardia!
Nas primeiras audições pude notar que a banda quis ir a fundo nas raízes mais Rockers/Hard, com guitarras mais ardidas, deixando de lado quase que totalmente aquela melação de baladas açucaradas de outrora. Talvez por conta disso, a mixagem das vozes de David ficaram mais “pés no chão”, sem estardalhaços e dando a sensação que o instrumental fosse a peça central nesse lançamento. Logicamente que isso não deprecia em nada o bom andamento do álbum, já que os drives com tom mais “sexy” e sacana de David continuam intactos. Dois bons exemplos disso são “Good To See You Again”, um belíssimo Hard Rock que abre o álbum com riffs cortantes e um refrão para cantar junto, e “Shut Up & Kiss Me”, um Hard N’ Heavy “mulherengo” com instrumental fabuloso, solo astronômico e andamento cativante lembrando bastante o Motley Crue.
Seguindo com “Gonna Be Alright” temos um David soando de certo modo estranho e diferente, mais despojado e quase que “largado”, como se estivesse enchendo a cara num pub de streap tease num subúrbio inglês. Quem comanda aqui é o monstro Tommy Aldridge (bateria) num andamento monstruoso e cativante.
“Hey You (You Make Me Rock)” continua nessa linha, só que mais arrastada caminhando de mãos dadas com o drive de David. Mesmo com um refrão meio bobinho, duvido que você não a cantará nos shows! O especial aqui fica (mais uma vez) para os solos mostrando uma coesão, técnica e felling impressionantes.
Algumas faixas mais radiofônicas e melódicas fazem parte do pacote, como por exemplo “Always & Forever” e “When I Think Of You (Color Me Blue)”. Ambas são bem agradáveis e românticas, tipicamente semi-baladas luxuosas, mas AINDA BEM nada melosas ao extremo. A primeira com um curto e lindo solo e a segunda numa espécie de “Is This Love” do novo milênio, só que sem um refrão tão impactante. O instrumental nessas duas, também, caminham de mãos dadas com os vocais elegantes de David.
“Trouble Is Your Middle Name”, nos traz de volta aquele “hardão” com sonoridade mais “bluesy” e voz aberta de David. Nessa Tommy, Reb e Joel mereciam um busto! Monstros! A faixa título possui um “q” de AC/DC nas guitarras e levadas, mesclando Classic Rock com Hard Rock de forma brilhante, com direito a solo quase que “falando”!!!
Outros destaques vão para, “Heart Of Stone”, essa sim balada charmosa, climática e cheia de dedilhados para se ouvir bem acompanhado e com um bom vinho tinto. Facilmente facilitará o acasalamento (risos).
A pesada, rápida, com toques de Stoner Rock, “Get Up” levanta até defunto, com direito a um grito agudo e soberbo de David, e “Sands Of Time”, também com guitarras ardidas e cheia de nuances épicos e camadas de vozes que, junto com a melodia das guitarras, criaram uma espécie de “Kashmir” do Whitesnake. Se você não chorar no solo dessa faixa, você não é humano. Não, você é um humano de bosta, pois alienígenas são esses caras!
Na minha modesta opinião é o melhor álbum lançado pela banda desde a sua volta à ativa!
Algum dia você imaginou escutar um álbum do Whitesnake que não teria David Coverdale como centro das atenções? Pois bem, eis aqui esse disco. Temos uma banda que entrou em campo para ganhar de goleada junta!
Johnny Z.





