
Opeth – “In Cauda Venenum” (2019)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#ProgressiveMetal, #ProgressiveRock
Para fãs de: Katatonia, Steven Wilson
Nota: 9,0
O prestigiado escritor brasileiro Érico Veríssimo já dizia que “quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento”. Dito isso, dizer que o Opeth perdeu sua identidade a partir de “Watershed” (2008) é uma tremenda injustiça: a aproximação com o rock progressivo e o consequente abandono do Death Metal já corre nas veias do quinteto sueco e recriou a identidade da banda. Agora, em “In Cauda Venenum”, as camadas de instrumentação aliadas ao belo timbre de Mikael Åkerfeldt remetem às baladas definitivas da época do “Damnation” (2003), porém, engordadas com uma nova roupagem focada em orquestrações, harmonizações de voz e timbres quase pesados de guitarra.
Cada música deixa sua marca no tracklist: no começo, “Garden of Earthly Delights” parece a abertura da série Stranger Things, totalmente oitentista. Já “Dignity” vem com melodias que lembram clássicos do prog como Jethro Tull ou King Crimson, afastando qualquer fantasma do Death Metal que outrora pudesse assombrar os suecos. Mikael resgata, ainda, a tradição cunhada por Ozzy de cantar sobre os riffs, como na intensa “Heart In Hand”. Vale lembrar também que o disco tem uma versão com as letras cantadas em sueco, mostrando a estranha embocadura desse idioma tão diferente para o rock.
Um dos grandes destaques do álbum é o belo trabalho de teclado de Joakim Svalberg, transformando, por exemplo, “Lovelorn Crime” em uma viagem ‘pinkfloidiana’ letárgica e profunda. Já em “The Garroter” uma guitarra meio cigana e desemboca em um piano grave jazzístico de melodia macabra, trazendo temperos interessantes para o contexto geral. Vale a ressalva de que sempre que Mikael opta por deixar sua voz límpida, sem muitos ecos ou harmonizadores o resultado é sempre belo de se ouvir e as melodias parecem soar mais elegantes e emotivas.
Por fim, “In Cauda Venenum” traz essa nova fase da banda de maneira natural, deixando mais forte o sentimento de que o “meu velho Opeth” não deve voltar tão cedo: o gutural, bateria rápida e guitarras pesadas são artigos de museu para os suecos. Dessa forma, os moinhos construídos vão formando identidades e lapidando uma sonoridade nova que, se não traz ainda a quantidade de belos frutos quanto na primeira fase da banda, certamente proporcionou raízes fortes para vindouras colheitas de qualidade.
Gustavo Maiato





