
Kiko Loureiro – “Open Source” (2020)
Victor Talking Machine Company
#InstrumentalRock, #ProgressiveMetal
Para fãs de Joe Satriani, Marty Friedman, John Petrucci
Nota: 10
No mundo da programação, “código aberto” é quando um software é oferecido no mercado de forma que o usuário possa estudar e modificar esse código a seu bel-prazer. “Open Source”, tradução do termo para o inglês, por sua vez, é o nome do sexto álbum solo do guitarrista brasileiro mais importante de todos os tempos: Kiko Loureiro. E se o código está aberto, por que não esmiuçar e anexar à espinha dorsal de zeros e uns uma gama de influências que resultem nos mais diferentes estilos? Em sua banda principal, o Megadeth, Kiko está atrelado ao código do Thrash Metal e suas palhetadas para baixo em palm mute. Em sua ex-banda, o Angra, ele podia criar o próprio código, mas estava refém da expectativa dos fãs, que é aquele flerte ente o Power e o Progressive.
Já na carreira solo, vale tudo! “Overflow” e “Edm (E-Dependent Mind”) mostram o lado moderno/eclético de Kiko, com riffs pesados ao estilo Djent e solos com timbre impecável. Um destaque é “Imminent Threat”, parceria com Marty Friedman (ex-Megadeth), que teve seu código visivelmente influenciado pelos riffs pesados e certeiros do americano. Na sequência, o guitarrista brasileiro revelação Mateus Asato deu sua contribuição em “Liquid Times” e “Sertão” mostra que a cozinha é preparada e competente: Felipe Andreoli no baixo e Bruno Valverde na bateria, seus dois ex-parceiros de Angra.
Kiko é um produto verde-amarelo tipo exportação da melhor qualidade e mostrou que não ficou parado no tempo. Pelo contrário, está muito atento às tendências da guitarra elétrica e mostrou uma variedade enorme de possibilidades. Músicas como “Vital Signs” e “Running With The Bulls” são o atestado de versatilidade do músico, sendo a primeira com uma bela melodia principal, ao estilo Joe Satriani, e a segunda, com uma introdução meio flamenca, atrai olhares pela inovação.
Por fim, “Open Source” é um disco que marca uma era na carreira de Kiko. Depois de sair do Angra e galgar degraus internacionais com o Megadeth, era a hora do músico misturar tudo que vivenciou nos últimos tempos e condensar isso tudo em um álbum solo, sem amarras ou necessidades de mercado. O resultado, é para complexo de tupiniquim nenhum botar defeito!
Gustavo Maiato





