Britny Fox – “Forbidden Fruits: The Bite Down Hard Demos Vol 1 & 2” (2020)

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Britny Fox – “Forbidden Fruits: The Bite Down Hard Demos Vol 1 & 2” (2020)
FnA Records
#GlamMetal#SleazeMetal#HardRock

Para fãs de: Cinderella, KixRATT

Nota: 9,0

O Britny Fox iniciou sua carreira na metade dos anos 80 como uma espécie de sucursal do Cinderella, de onde saíram Michael Kelly Smith e Tony Destra para se juntarem a “Dizzy” Dean Davidson e Billy Childs. A banda fez relativo sucesso com seus dois primeiros álbuns e, após a saída de Dean Davidson, Tommy Paris assumiu os vocais, para lançarem “Bite Down Hard”, em 1991, bem no início da decadência da cena Hair Metal.

Depois disso, a banda se tornou uma trupe itinerante, com retornos e formações diversas, até dar seu último suspiro em 2015, quando reativaram o projeto que agonizou até 2017, todo desfigurado, para resultar em nada – afora alguns concertos para pagarem os boletos em atraso.

Por falar em pagar os boletos, a gravadora FnA Records empacotou de maneira atraente as demos das sessões de gravação do mencionado “Bite Down Hard”, resultando em uma compilação de dois álbuns, com sobras de estúdio para lá de maneiras, além de versões alternativas das músicas que emplacaram no álbum e ainda alguns covers.

Como dificilmente ouviremos algum material de inéditas da formação que for do Britny Fox, este material é o melhor que os fãs da banda terão para curtir algo ainda não lançado pelos caras. Ainda que o Britny Fox sempre tenha tido a fama de ser do terceiro escalão da cena Hair Metal oitentista, eu gostava bastante do som deles na época – algo como um Sleaze Metal com pitadas de rock visceral, próprio da sonoridade do AC/DC e também do que o Cinderella praticava em “Night Songs”.

Tendo “Bite Down Hard” como parâmetro – talvez o melhor álbum da banda – apesar de se tratar de versões “cruas” das músicas, gravadas em um Tascan xexelento, com deficiências técnicas dos músicos, inclusive, evidenciadas, não fique pensando que o que se ouve aqui é um embolado de “lefts-offs” que sequer serviriam de fillers para o álbum lançado em 1991.

No Volume 1 temos a maior parte das versões mais cruas das músicas de “Bite Down Hard”, como “Liar”, com direito a solo de slide guitar, em que fica ressaltada a influência de Aerosmith dos anos 70 para incrementar o já mencionado estilo Sleazy visceral geralmente praticado pela banda, além de versões interessantes de “Lonely Too Long”, “Over and Out”, “Shout From My Gun” e “Closer To Your Love”. Tem também um cover para “Riff Raff”, escancarando a inspiração em AC/DC que sempre tiveram, e uma versão de “Little Sheila”, do Slade, que ficou bem fiel à original.

No Volume 2 das “relíquias” de estúdio, podemos ouvir duas músicas solo de Tommy Paris (tem uma dele no Volume 1 também, “Screened”, um tipo de “sobra da sobra”, mas cuja vibe “The Beatles psicodélico” me agradou bastante), respectivamente “Tracy” e “Come No More”, que fogem da estética praticada pelo Britny Fox, numa levada mais Hard/AOR, lembrando os trampos solos de Ted Poley (Danger Danger).

Entre as sobras do Volume 2 destaque para “Sex In Line”, que poderia facilmente fazer parte de “Animalyze” ou “Hot In The Shade”, invocando aquela levada sacana tão presente na fase Glam do Kiss. Já “Shout It Out” remete um pouco ao Def Leppard depois que a banda inglesa achou a fórmula do sucesso, com refrãos curtos e cantados na base de infinitas sobreposições de vocais (emulados nesse caso, já que a gravação é em 4 canais aqui).

Já “Ready” e “Fire Of Love” têm um som mais próximo daquele praticado nas músicas que vingaram no álbum oficial – com a devida equalização, mixagem e produção não deveriam nada para as presentes no tracklist – com um leve toque de Ratt.

Sem dúvidas dá para entender porque a balada interminável “Stay With Me” ficou fora do álbum, do mesmo modo que “Again” (soa melódica demais para a proposta da banda); “See You On Me” é uma nova versão para “Lay It Down” do Ratt. Para terminar, vale destacar também o cover de “Sweet Hitch Hicker”, do Creedence Clearwater Revival, que ficou bem legal na roupagem do Britny Fox.

Para quem curte esta onda Hair Metal, que ditou tendência musical e visual nos anos 80, vale uma visita ao site da FnA Records para considerar arrematar as versões especiais destes CDs. Terminando aqui, certamente vou atrás das minhas cópias.

Wallace Magri

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