Styx – “The Mission” (2017)

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Styx – “The Mission” (2017)
Universal Music Group
#SoftRock#HardRock#ProgRock

Nota: 10

Todas as vezes nas quais escrevi que doía menos aceitar que bandas veteranas não mais nos entregariam álbuns capazes de rivalizar com seus clássicos, eu estava certo de que, por exemplo, o Styx jamais lançaria um novo “Pieces of Eight”. O grupo não lançava um disco de inéditas há 14 anos e, honestamente, para quem não tem que provar mais nada para ninguém, viver de passado pode ser uma boa. Só que de porre em porre a vida vai me desmentindo, e “The Mission” confirma o otimismo do press release: é, sem dúvida, o trabalho mais ousado e emblemático do Styx desde “Pieces of Eight”.

Conceitual, “The Mission” tem como pano de fundo o ano de 2033 e o vislumbre da primeira missão tripulada a marte. Ao longo de 40 minutos, que passam em um estalar de dedos, 14 músicas contemplam o que seriam as etapas e reveses, além do que ocorre na mente daqueles escolhidos para desbravar o planeta vermelho. Por mais batido que possa parecer, o tema é tipo Segunda Guerra Mundial: nunca sai de moda. Basta ver a quantidade de filmes ambientados no espaço sendo indicados e se consagrando vencedores de Óscares e afins nos últimos anos — Perdido em Marte (2015), por exemplo, levou dois Globos de Ouro.

Se é verdade que uma gota de óleo pode contaminar até mil litros de água, deste tanque você pode beber até se saciar sem correr o menor risco. A sonoridade é cristalina, livre de impurezas, resultado de profissionalismo em todas as etapas e por parte de todos os envolvidos. As harmonias vocais, ponto forte na música do Styx, aparecem em refrãos empolgantes, como em “Hundred Million Miles From Home”. Guitarristicamente falando,Tommy Shaw é uma verdadeira biblioteca de timbres; seu instrumento alça vôos inesperados e, justamente por isso, surpreendentes, como em “Red Storm”, onde um intervalo à la Tom Morelloantecede uma guinada que poderia constar em qualquer disco do RUSH.

A influência de The Beatles é latente em “The Greater Good”, que parece continuação de “Across The Universe”, e promete agradar ouvintes das light FMs que resistem. O solo é coisa de gênio: assim como o poeta considera sílabas e a métrica, cada nota parece ter sido escolhida meticulosamente. Na reta final, “The Outpost” e “Mission To Mars” compõem a dobradinha que nos deixa querendo que o Styx decida explorar outros planetas e galáxias. Se o universo é infinito, a criatividade do grupo também é. Resta saber se essa espaçonave irá pousar em solo tupiniquim para o show mais imperdível do momento. Disco do ano — pelo menos até agora.

Marcelo Vieira

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