Ruïm – “Black Royal Spiritism – I – O Sino da Igreja” (2023)

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Ruïm – “Black Royal Spiritism – I – O Sino da Igreja” (2023)

Peaceville Records
#BlackMetal

Para fãs de: Mayhem, Gorgoroth, 1349

Nota: 9,5 

Na longa história do Black Metal, o guitarrista e compositor Blasphemer é um dos mais subestimados que o gênero já conheceu. Ele ganhou destaque no meio dos anos 90 depois de entrar para o Mayhem, a convite de Hellhammer, ocupando o lugar do lendário guitarrista e força por trás da banda, Euronymous, com contribuições intrincadas e agressivas gerando álbuns como “Grand Declaration of War” e “Chimera”, ajudando a lendária banda norueguesa se desenvolver além do legado de “Deathcrush” e “De Mysteriis Dom Sathanas”, consolidando-o como um dos mais criativos do gênero.

Agora, muitos anos após sua saída da banda, Blasphemer retornou com RUÏM, um projeto que começou após ele encontrar material que havia composto no final dos anos 90 para o Mayhem. O primeiro álbum, “Black Royal Spiritism – I – O Sino da Igreja”, foi lançado em maio deste ano, via Peaceville Records, apresentando muitas semelhanças com sua época no Mayhem, mas também possuindo alguns elementos sutis e impressionantes que mais uma vez reafirmam a posição de Blasphemer como um dos compositores mais imaginativos do Black Metal.

O disco começa com “Blood.Sacrifice.Enthronement”, sendo uma faixa longa, com uma intro lenta e dramática que logo muda para um Black Metal visceral, com guitarras ferozes, os vocais rasgados de Blasphemer (ele só não canta em “Fall of Seraphs, que tem Proscriptor McGovern, do Absu, à frente da função) e uma bateria frenética. Ela mantém o ritmo por toda sua duração, adicionando alguns coros e vocais sussurrados, com toques de Avant-garde, mas que não deixa a brutalidade de lado.

“The Triumph (Of Night & Fire)” tem um estilo de guitarra atmosférico semelhante ao que foi visto na primeira faixa e o combina com um Black Metal frenético, com riffs fortes e caóticos, com a bateria de CSR (César Vesvre – Agressor, Thagirion) sendo precisa e com velocidade de uma metralhadora.

“Black Royal Spiritism” é mais uma faixa longa, que inicialmente começa lenta, com melodias que se entrelaçam até cair novamente como uma bomba e iniciar um ataque fulminante aos nossos ouvidos. “Evig Dissonans” se destaca como uma das melhores do disco, sendo uma verdadeira aula de Black Metal com os vocais de Blasphemer sendo ríspidos e nocivos, com guitarras afiadas, que levam a um final bestial e bombástico.

“Black Royal Spiritism” serve como mais uma prova do talento de Blasphemer, se você ainda precisasse de mais alguma depois do que ele já fez no Mayhem, Aura Noir e Vltimas. É um disco que traz uma sensação familiar, já que a sua concepção atual começou nos anos 90 junto a “Grand Declaration…” e “Chimera”, mas que tem sua própria luz, com trabalhos de guitarra que dão o toque de novo e fresco, e o diferencia de muitos discos atuais de Black Metal.

Esperamos que esse não seja um álbum independente do RUÏM, porque este é um exemplo de disco sólido e impecável do começo ao fim, uma obra do Black Metal que ficará marcada entre os melhores do gênero, e seria ótimo ouvir mais músicas com essa pegada.

Lucas David

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