Mike Tramp – “The Songs Of White Lion” (2023)

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Mike Tramp – “The Songs Of White Lion” (2023)

Frontiers Music
#HardRock #MelodicRock

Para fãs de: White Lion, Bon Jovi, Firehouse, Winger, Warrant

Texto por João Paulo Gomes

Nota: 8,5

Normalmente é complicado (re)visitar uma discografia, ainda mais quando estamos falando de uma banda que esteve no cerne da cena do Hard Rock dos anos 80.

Canções como essas tendem a se confundir com a própria essência de quem viveu aquela época, como é o meu caso, o que torna mais difícil ainda o sucesso da empreitada. Sem mencionar que o artista pode cair em diversas armadilhas capazes de atiçar a ira dos fãs e colocar toda uma carreira em perigo.

Por que, então, fazer isso e justamente agora?

O próprio Mike Tramp responde: “Para mim, o período de 1983-1991 foi uma experiência única na vida e quando chegou ao fim, foi mais do que apenas o fim de uma banda, foi também o fim de um momento muito específico da minha vida. Nos 20 anos seguintes, eu revisitaria aquela época da minha vida em pequenas partes, mas nunca me senti 100% confortável com isso. Simplesmente não conseguia me forçar a recriar o que já fui.” – ele confessa e continua – “Agora, aqui estou eu de novo. O ano é 2023 e gravei um álbum das “grandes” canções do White Lion o mais próximo possível dos originais, mas explorando pequenas partes novas que hoje sinto que deveriam ser assim. Não tenho mais 26 anos, não canto como se tivesse e não estaria fazendo justiça às músicas ou a mim mesmo se tentasse. Hoje, interpreto as músicas que escrevi com Vito Bratta há mais de 40 anos exatamente como sou atualmente. Esta é a única maneira de abraçá-las, me sentir em casa e ser honesto comigo mesmo e com elas.”

Com produção de Mike Tramp (Mabel, White Lion e Freak Of Nature) e Soren Andersen (Glenn Hughes, The Dead Daisies) e contando com Klaus Langeskov (Mike Tramp) no baixo, Allan Tschicaja (Pretty Maids) na bateria, Marcus Nand (Freak Of Nature, Elements of Friction) nas guitarras, Sebastian Groset nos teclados e Christoffer Stjerne nas harmonias vocais, “The Songs of White Lion” é uma homenagem madura e respeitosa ao passado na qual as canções conversam com Mike Tramp de forma diferente de outrora e ele opta por não cair nos clichês do estilo (de antes e de agora).

Vale ressaltar o trabalho de Marcus Nand na guitarra. Nand, não é Bratta, mas dá seu toque pessoal ao trabalho sem perder a alma que Vito colocou em cada acorde e ideia.

Nem todas as canções funcionam bem, algumas diluíram o impacto e a energia que as versões originais traziam, mas “Lady Of The Valley”, “Broken Heart”, “Little Fighter”, “Tell Me”, “When the Children Cry”, a cereja do bolo, e “Love Don’t Come Easy” são alguns exemplos da belíssima simplicidade orgânica que Tramp imprimiu às novas versões.

Seria no mínimo injusto comparar passado e presente, aquele “moment in time” não há como ser (re)capturado, mas essa é uma fotografia super honesta, autêntica e emocional de canções que possuem uma representatividade enorme, não apenas do legado de uma banda, mas de uma época como um todo.

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