Mütiilation – “Black Metal Cult” (2024)
Osmose Productions
#BlackMetal
Para fãs de: Black Funeral, Darkthrone, Mayhem
Texto por Lucas David
Nota: 9,5
Quando falamos de Black Metal o que costuma vir à mente são as bandas norueguesas, como Mayhem e Darkthrone, que surgiram na segunda onda do movimento e mudaram a percepção do mundo sobre a música extrema. Entretanto, essa onda se espalhou para outros lugares no mundo e deu origem a diversos outros grupos que se tornaram lendários assim como os já citados acima.
Um desses grupos é o Mütiilation, vindo da França, e que trouxe uma dose a mais de extremismo para o movimento, sendo para muitos o líder da Les Légions Noires (As Legiões Negras), um grupo do underground francês formado por músicos e bandas de Black Metal. Essas bandas limitavam seus lançamentos a poucas cópias, e as distribuía entre amigos e colegas, muito parecido com o Inner Circle da Noruega.
O Mütiilation surgiu em 1991 com seu líder, fundador e único membro remanescente sendo Meyhna’ch, que se tornou uma lenda dentre os apreciadores do gênero. Após seis discos de estúdio, e algumas pausas e retornos de atividades, o Mütiilation lançou em abril seu sétimo álbum muito bem nomeado de “Black Metal Cult”, via Osmose Productions.
“Black Metal Cult” são seis faixas do mais agressivo, cru, implacável e blasfemo Black Metal francês. O disco abre com a faixa-título, um ataque aos ouvidos com guitarras cortantes, vocais rasgados e agressivos e uma parede de blast beats. Meyhna’ch faz um trabalho excelente na execução de todos os instrumentos, tocando-os com maestria, deixando apenas a bateria para Kham. Na metade da faixa, o ritmo diminui, com os vocais ficando mais sinistros, junto a uma atmosfera intimidadora, até cair em uma avalanche novamente.
“Hominicide” tem uma levada mais midtempo que vai acelerando conforme o tempo avança, assumindo os blast beats e palhetadas rápidas com mais uma apresentação insana dos vocais. “From The Plains of Ice and Death” soa como o Immortal da fase “At The Heart of Winter”, com um tom épico e grandioso. Nos minutos finais ela assume uma velocidade alucinante que joga o ouvinte contra a parede.
“Into The Cursed Necropolis” tem uma veia mais Black/Thrash e com um corpo tão sólido e grande que parece um iceberg. Essa certamente é um dos destaques do álbum devido à tamanha qualidade.
“The Fall of Islam” é uma música longa, com algumas alternâncias entre seções rápidas e cadenciadas. Ela soa mais malvada do que as anteriores, com ótimos vocais, porém acaba sendo um pouco cansativa a certa altura, mas que não tira seu brilho. “The Mirror of Disillusion” fecha o disco com uma pegada Emperor, com ótimos riffs, uma bateria arrebatadora com um ótimo ritmo para o headbanging e os vocais sendo mais um show a parte.
“Black Metal Cult” não é um disco para ouvidos sensíveis, já que a extremidade é em níveis altos, o que deixa os fãs da banda e do estilo mais do que satisfeitos. Levou algum tempo para que o disco chegasse, porém o que temos aqui é o mais puro canto maldito do Mütiilation e das legiões negras, um canto que esperamos ter sempre por perto.





