Metal na Lata

A Perfect Circle – “Eat The Elephant” (2018)

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A Perfect Circle
 – “Eat The Elephant” (2018) 

BMG Rights Management
#AlternativeRock#ProgressiveRock,#AdultContemporaryRock

Para fãs de: David BowiePink Floyd

Nota: 9,5

Este é o quarto álbum de inéditas do A Perfect Circle, também conhecido por ser o projeto paralelo de Maynard James Keenan, do Tool, ao lado de Billy Howerdel, guitarrista de boa rodagem na cena do Alternative/Industrial Metal. A banda fez bastante sucesso na década passada, contando com hits de largo alcance, como é o caso de “Judith”, “The Hollow” e “Pet”.

Desta feita, a banda optou por suprimir praticamente todo o peso das músicas, em boa parte aqui fundadas em piano, alguns elementos eletrônicos e levadas de bateria bem suaves e secundárias, acabando por criar algo que podemos denominar Adult Contemporary Rock, similar ao que David Bowie vinha fazendo neste século e com algo do progressivo mais acessível do Pink Floyd dos anos 90.

Claro que, de início, esta proposta decepciona os fãs de carteirinha, que certamente esperavam por algo mais eletrônico e pesado, até mesmo pelo o que a banda vinha apresentando antes de se afastar dos holofotes. Mas, de coração aberto e olhos atentos às letras das músicas, dá para encontrar bastante valor neste álbum – lançado 14 anos após o último álbum da banda.

“The Dommed” é uma das mais obscuras e que dá um gostinho do que era o A Perfect Circle de então, iniciando com guitarras hipnóticas, bateria marchando rápido e vocais agressivos de MJK que cantam: “Behold a new Christ/Behold the same old horde/Gather at the altering/ New begining, new word/ And the word was death/ And the word was without light/ The new beatitude: “Good luck, you´re on your own” (tradução: “Eis o novo Cristo/Eis a mesma velha horda/ Reunir na alteração/ Novo começo, nova palavra/ E a palavra era morte/ E a palavra estava sem luz/ A nova beatitude: “Boa sorte, você está por sua conta”). Depois a música acaba adotando um peso morno, mas com belíssimas passagens e arranjos vocais.

Já a próxima, “So Long, And Thanks For The Fish”, tem aquela pegada esquema U2 quando está mais inspirado encontrando Pink Floyd no meio do caminho, criando uma linda balada progressiva e grandiosa. Aqui, novamente, Keenan é contundente nas letras, que canta de maneira suave, por vezes acompanhado por violinos: “Time is Money and money’s time/We wasted every second dime/On diets, lawyers, shrinks apps and flags and plastic surgery/ Now Willy Wonka, Major Tom, Ali, and Lea have moved on/Signal the final curtain call in all its atomic pageantry” (tradução: “Tempo é dinheiro e dinheiro é tempo/ Nós perdemos cada Segundo de centavo/ Em dietas, advogados, psiquiatras, aplicativos e bandeiras e cirurgias plásticas/ Agora Willy Wonka, Major Tom, Ali, e Lea se foram/ Sinal do chamado da última cortina em todas suas pompas atômicas”).

O tema geral das músicas é o tempo e como ele é desperdiçado em nossas vidas, em meio a todos os nossos dramas existenciais, o que é confirmado na última música do álbum, “Get The Lead Out”: “Chit-chat chit chat/ Ain’t got time for that/ We got places to be/ We got mountains to climb/ Shape the rainbow with me/Only so much time” (tradução: “bate papo bate papo/ Não tenho tempo para isto/ Nós temos lugares para estar/ Nós temos montanhas para escalar/ Molde o arco-íris comigo/Apenas tanto tempo”).

E é assim, caminhando entre pérolas líricas e sessões musicais raras e inspiradíssimas, que o ouvinte é convidado a ouvir este álbum uma, duas, três, diversas vezes a fim de, aos poucos, ir se adaptando e mergulhando no universo proposto pelo A Perfect Circle neste “Eat The Elephant”, com composições e arranjos que beiram a perfeição, trazendo à sua atmosfera aquilo que já foi produzido pelos maiores nomes do rock que já passaram pelo planeta Terra (Floyd, Bowie, Beatles) – sem deixar de acrescentar talento e tempero próprios, a demonstrar que se trata de uma das mais relevantes bandas de rock de hoje em dia.

Se você está disposto a algum esforço intelectual para compreender uma proposta musical muito bem definida e conduzida, mas que precisa de tempo para se aclarar, vá em frente nesta busca e esteja certo de que o resultado final será revelador e engrandecerá sua compreensão sobre a música e as formas como pode ser absorvida por nossos ouvidos e processada por nossa razão e por nossas emoções também.

Wallace Magri

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