
Alcest – “Spiritual Instinct” (2019)
Nuclear Blast
#AtmosphericMetal, #DarkMetal
Para fãs de: Katatonia, Summoning, Les Discrets
Nota: 10
Há quem professe que a França é o túmulo do Metal e as justificativas são até plausíveis: em um país com 67 milhões de habitantes, vasta e diversificada cultura e localizado no centro do mundo, é de se estranhar que pouquíssimas bandas pesadas tenham aparecido por lá. Porém, já é chegada a hora dos franceses proclamarem: “Oui, nous avons du métal!”. Sim, nós temos metal! E um dos grandes nomes franceses da atualidade atende pelo nome de Alcest, uma banda que tem como base o som ‘pinkfloydiano’ letárgico e envolvente, mas com os riffs de guitarra de Neige muito acentuados e grudentos. Nesse novo trabalho, “Spiritual Instinct”, as melodias são simples, o que leva a pergunta: como ninguém tinha pensado em compor essas músicas antes?
São apenas 6 faixas que condensam muitas camadas, com uma curiosidade: o single “Sapphire” não tem letra e Neige, que também é vocalista, apenas improvisa sílabas aleatórias para acompanhar a linha melódica principal de guitarra/teclado. O Alcest, em essência, trata-se de um duo, completado pelo baterista Winterhalter, que consegue seus momentos de destaque, mesmo pouco exigido tecnicamente.
Outro traço marcante da banda é cantar em francês, mas o vocal rasgado impede que o ouvinte tenha aquela experiência de ouvir a língua de Napoleão em alto e bom som. Em outras palavras, não dá para distinguir muita coisa, então pouco importa o idioma. Vale o destaque também para as músicas “Protection” e “L´île des Morts”, que são tão ligadas sonoramente que parece que o disco todo é uma grande faixa de 41 minutos, sem momentos ruins ou desprezíveis.
Se Gojira e Adaggio já escreveram seus nomes no metal francês, “Spiritual Instinct” chega para engrossar o caldo e mostrar que a França tem qualidade no Metal. Além disso, a originalidade e bom gosto do Alcest podem elevar a banda ainda mais se eles continuarem nessa direção. A comunidade internacional do Metal só tem a agradecer essa bem-vinda contribuição.
Gustavo Maiato





