
Red Hot Chili Peppers – “Freaky Styley” (1985)
Virgin EMI Records | Capitol Records
#FunkRock, #AlternativeRock
Para fãs de: Faith No More, Incubus, Jane’s Addiction
Nota: 8,5
Quando Hillel Slovak voltou ao Red Hot Chili Peppers em 1985 foi como se a banda tivesse retomado o caminho certo. No tempo em que esteve fora, o cara havia evoluído muito como guitarrista, ampliando os horizontes musicais antes restritos ao KISS e ao rock progressivo através da adoção de um estilo funkeado, suave e fluido; isso sem contar o entrosamento com Flea e o fato de Anthony Kiedis o considerar um irmão.
Chegada a hora de fazer o segundo disco, futuramente batizado “Freaky Styley” – um sinônimo para tudo que possa haver de legal no universo –, a EMI perguntou ao Red Hot quem eles gostariam que o produzisse. “George Clinton” foi a resposta. Após um telefonema no qual o grupo se apresentou como “roqueiros fodidos da pesada e queremos que você produza nosso disco” – e talvez, só talvez, acrescido o fato de a gravadora ter-lhe oferecido 25 mil dólares pelo serviço –, o principal arquiteto do P-Funk disse sim.
As gravações ocorreram no estúdio de George, o United Sound, em Detroit, e toda a expertise adquirida à frente do Parliament Funkadelic nos anos 1970 foi empregada para captar a química do Red Hot ao vivo em estúdio. Além disso, Clinton opinava sobre as letras – mandou que Anthony adaptasse a letra de “Africa” do The Meters para sua realidade na Califórnia dando origem à híbrida “Hollywood (Africa)” – e, no caso da faixa que dá nome ao disco, forneceu a letra num momento de total espontaneidade: enquanto ouviam a recém-composta instrumental, o produtor começou a cantar “Fuck ‘em, just to see the look on their face” (“Foda com eles, só para ver a cara deles”). Não pensaram duas vezes.
Tendo chegado a Detroit com cerca de setenta por cento do repertório já pronto – músicas como “Jungle Man” (ode de Anthony a Flea) e “American Ghost Dance” (inspirada nos rituais dos nativos americanos e um tributo às origens apache do vocalista) haviam sido escritas em L.A. –, restava espaço para inclusões de última hora, como o cover de “If You Want Me to Stay”, do Sly and the Family Stone, cuja dificuldade do vocal foi um teste para a capacidade de Anthony, que sobressai confiantemente, e a autoral “Yertle the Turtle”, com participação de Louie, o então fornecedor de cocaína de George, na cômica introdução “Look at the turtle go, bro” (“Veja a tartaruga andar, mano”).
Mais do que qualquer outro álbum lançado pelo Red Hot, “Freaky Styley”, que chegou às lojas em 16 de agosto de 1985, foi enquadrado na categoria de “muito funkeado para as rádios de branco e muito punk rock para as rádios de negro”, o que se traduziu em baixa expressão em vendas. A turnê manteve a banda viajando intermitentemente até meados de 1986, quando a EMI, insatisfeita com os números e temendo que o vício de Anthony e Hillel tivesse um desfecho trágico começou a exigir o próximo disco.
Marcelo Vieira





