
Asphyx – “Necroceros” (2021)
Century Media Records | Dying Records
#DeathMetal, #DoomMetal
Para fãs de: Bolt Thrower, Benediction, Memoriam, Pestilence, Autopsy, Obituary
Nota: 10
Integridade, compromisso e, acima de tudo, paixão pela nobre arte. Definitivamente, esses são os princípios que definem e regem a carreira do Asphyx, e digo isso como fato consumado, haja vista que em toda sua trajetória o quarteto holandês jamais se desvirtuou ou se rendeu a premissas duvidosas.
Por conta disso, o Death Metal é expresso na sua forma mais brutal, asquerosa e contundente em “Necroceros”, seu mais novo e impactante trabalho. O Asphyx está de volta e prepare-se para ser sistematicamente subjugado e estraçalhado.
E todo esse poder destrutivo advém de uma sonoridade que esmiúça exatamente tudo aquilo que o Death Metal precisa ser e precisa passar em forma de ruidosas notas musicais, e a leve inclinação natural que a banda sempre teve para o Doom torna tudo ainda mais denso e sombrio.
Fórmulas mágicas não são necessárias. Só colocar as guitarras pra ranger (e como rangem!), a cozinha pra sustentar e o mestre de cerimônias, Martin Van Drunen, pra vociferar as passagens mais mórbidas que se tem conhecimento nos últimos tempos, e pronto.
Martin se porta como uma alma condenada as piores penúrias do inferno clamando por absolvição. Seu vocal é de uma aspereza difícil de exemplificar. Uma rouquidão e potência que só a idade e, principalmente, a experiência podem proporcionar.
Assim sendo, pode esperar por composições consistentes, embasadas em dor, destruição e sofrimento, onde o peso beligerante é emoldurado à forma de um blindado descontrolado varrendo tudo pela frente. Não é exagero, pois o início com “The Sole Cure is Death” transmite essa sensação.
E o ritmo é solenemente mantido, tendo ainda como destaques irrepreensíveis “KnightsTemplar Stand”, típica composição do Asphyx, com muito peso, cadência e embasamento histórico. E “Botox Implosion”? Marcante igual um procedimento estético mal sucedido!
Em meio a pandemias mortais e quarentenas intermináveis, é muito bom termos lançamentos dessa magnitude pra nos entreter. Certamente “Necroceros” marcará presença nas famigeradas listas de fim de ano. Mais do que merecido, diga-se! Obrigatório e essencial em qualquer acervo extremo que se prese.
Ricardo L. Costa





