Metal na Lata

Atheist – “Jupiter” (2010) (Relançamento 2023)

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Atheist – “Jupiter” (2010) (Relançamento 2023)

Season Of Mist | Shinigami Records
#DeathMetal #ProgressiveDeathMetal #JazzFusion

Para fãs de: Death, Cynic, Pestilence

Texto por Johnny Z.

Nota: 8,0

O quarto álbum dos americanos do Atheist surgiu após um hiato de 17 anos desde seu antecessor, “Elements”, e também após um retorno às atividades em 1994. Isso configura uma diferença notável na qualidade de gravação devido ao avanço tecnológico e, é claro, às influências de sonoridades mais contemporâneas (sim, Metalcore, você leu certo!) que estavam em voga na época. A formação também passou por uma reformulação, contando apenas com Kelly Shaefer (vocal/guitarra) e Steve Flynn (bateria) como membros originais. Chris Bake (guitarra) e Jonathan Thompson (guitarra/baixo) completavam a banda nesta gravação.

A premissa do Death Metal extremamente técnico e à frente de seu tempo sempre permaneceu em foco na discografia da banda, mas em “Jupiter”, ficou claro que os norte-americanos da Flórida – berço do Death Metal mundial – quiseram se aproximar mais de suas raízes, incorporando a técnica vibrante de suas composições. Costumo dizer que os álbuns do Atheist são obras para músicos ouvirem e evoluírem dentro do estilo, pois a genialidade e complexidade imperam em níveis colossais.

É incrível como a banda consegue unir com maestria a música progressiva com uma agressividade extrema, de forma que não soe “perdida” ou “ininteligível”. Um exemplo disso são as passagens de Jazz e a brutalidade do metal ‘brincando’ juntas em “Live And Live Again”, como se fossem grandes amigos de décadas. Mas, calma, em “Jupiter” temos algo mais polido, ‘pé no chão’ e não tão ‘viajante’ como em seus álbuns anteriores, mas não deixa a desejar em nada! É mais reto e direto ao ponto, porém isso – acredito eu – faz com que as poucas músicas (8 ao todo) e o tempo curto de duração deixem aquele gostinho de quero mais.

Se você era fã desde o início da banda, pode ser que torça o nariz para “Jupiter”, mas mesmo que seja o caso, dê tempo ao tempo, pois vai entender o trabalho da forma correta. Acredito que fãs mais novos possam apreciá-lo mais rapidamente, e isso não deve soar pejorativo.

“When the Beast” e “Factitious Glide” são tão extremamente malucas e desconcertantes que você vai se perguntar como um ser humano consegue compor algo dessa magnitude.

Uma comparação esdrúxula seria que o Atheist consegue ser perfeitamente um elo perdido entre as bandas Death (técnica, mais extrema) e Cynic (mais progressiva, porém técnica/viajante demais antes de se afastar totalmente do Death Metal). “Jupiter” é um Atheist atualizado, mais rápido e pesado, mas não necessariamente melhorado. No entanto, a técnica, criatividade (em menor escala) e o bom gosto aqui são inquestionáveis, então não tem como ser ruim!

Mais um belo relançamento da Shinigami Records no mercado nacional!

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