
Black Christmas
Local: 305 Poizé, Brasília/DF
Data: 22/12/2018
Bandas: Miasthenia, Device, Terror Revolucionário e Isolate
Produtora: MOSH Produções
Texto e fotos por Victor Augusto
Véspera do tradicional feriado religioso de final de ano e o Miasthenia resolveu fazer o seu último show de 2018, após uma bem sucedida turnê europeia, contando com o sucesso de seu último disco “Antípodas” (2017). Para completar o time, a banda convidou mais três grandes nomes locais, que também impressionaram em suas performances além de terem um nome bem consolidado na capital federal.

Isolate
Próximo das 21 horas, o Isolate subiu ao palco para iniciar os shows do dia e mesmo com pouco material lançado nesses mais de 10 anos de banda, o grupo mostrou técnica e habilidade em seu Death Metal tradicional, principalmente na parte de guitarras com duetos e revezamentos de solos bem precisos de Carlos Miguel e Rodrigo Mastrangelo.
O som estava bem nítido e alto, como de costume do local, apesar de ser um pub e isso ajudou ao quinteto mostrar bem a sua proposta sonora. Entre uma música e outra, o vocalista Luciano Anjos comentou da dificuldade em manter uma banda de Death Metal ativa, citando o problema de saúde de seu baterista Julio Cesar, que quase veio a falecer recentemente.
Música como a “Book of The Dead”, que termina com um bom dueto após uma aula de técnica de solos que eles deram, impressionou bastante. A saideira ficou com “Ripping Eyes”, que inicia mais Doom e vai acelerando progressivamente.
O grupo fez uma apresentação bem empolgante e serviu para mostrar o seu potencial para pessoas que não conheciam a banda.
Setlist Isolate:
Memories in the Ashes
Book of the Dead
My Creations
Soul Infector
Dreaming Through no Future
Into The Pit
Ripping Eyes

Terror Revolucionário
Como eu já comentei em uma matéria anterior, Brasília precisa de mais shows que tenham bandas de Grindcore/Hardcore junto com as de Heavy Metal e foi notável a diferença que o Terror Revolucionário fez na noite. Indo na linha mais Grindcore, com músicas curtas e emendando uma na outra, sem muita pausa, o quarteto deu uma injeção de ânimo no público.
O guitarrista Thiago Cardoso despeja riffs numa velocidade incrível e se mostrou muito simpático nas vezes que conversou com o público. A baixista Adriana Drikaos tem bastante empolgação tocando e manda algumas partes isoladas de baixo com bastante fúria, além de dar o seu toque vocal na música “Antes Agora”. Jef Ayres manda bem na batera, com as viradas e alternâncias de ritmos. O caricato Fellipe CDC comandou o front, mesmo avariado de sua perna. O mesmo não deixou de se empolgar, ainda que usando uma bengala para manter-se em pé. Ele aproveitou para agradecer por estar tocando com bandas várias bandas de Metal.
Além de sons antigos, como “Neste Inferno”, a banda tocou um novo, “Seu Destino é Morrer”. Achei legal que quando parecia que eles iriam diminuir o ritmo após tantas músicas, eis que surge “Hipocrisia Geral”, com uma pancadaria de blast beats que impressionou pela pegada do grupo.
Em meio a tantas bandas de Heavy Metal extremo, o Terror Revolucionário chamou a atenção com seu som pegado, rápido e sem frescuras. A presença de palco da banda e a energia que eles repassam ao público foi um grande diferencial em sua participação, mostrando o motivo deles estarem na estrada há tanto tempo, tocando por vários lugares do Brasil e pela Europa também.
Setlist Terror Revolucionário:
Carma da Pobreza
Momento de Dor
Silêncio Mortal
Sociedade Trêmula
Morrer/Partir
Destino Selado
Antes Agora
Neste Inferno
Seu Destino é Morrer
Sua Farda
Mais Dias
Tudo Mudou
Sentimentos Capitalistas
Fé Afunda
Gira o Mundo
Trio Viçosa
1° Eu/Ser Mutante
Hipocrisia Geral
Mr. Crack
Cidades em Fogo
Medalha
Lama
Qual o Destino da Humanidade

Device
O Device é outro nome que não é novidade no cenário brasiliense e o lançamento do EP “Godless” (2018) trouxe a banda de volta a uma sequência de shows que merecem. Sem muito papo, o grupo começou o set com a “Soul of Maggots”, de seu primeiro EP “Behold Darkness” (2007), dando sequência na empolgante “Under The Cross”, do disco “Antagonistic” (2010).
A “Silenced by Blood“ foi a primeira do novo EP e mostrou que a nova pegada que o grupo tem tocado, tem muito mais a cara da banda, contando com uma agressividade e crueza maior. É incrível como o baterista Diego Campos tem uma extrema habilidade nos blast beats, onde ele alterna o braço que toca a caixa sem perder o ritmo. Chegou uma hora que o mesmo brincou que estava morrendo para tocar, mas não diminuiu em nada o seu ritmo.
O Device também tocou músicas em português, como a famosa “Pátria dos Porcos”, onde Italo Guardieiro citou uma frase do ex-presidente Collor e o cover de “Igreja Universal” (Ratos de Porão), que encerrou o show.
Novamente, o quarteto fez um show bem empolgante e mostraram o motivo de merecerem respeito no cenário nacional.
Setlist Device:
Soul of Maggots
Under the Cross
Silenced by Blood
Kill You
Message to the Clergy
Pátria dos Porcos
Loveless
Verme
Igreja Universal (Ratos de Porão)

Miasthenia
O Miasthenia retornou de sua primeira turnê europeia, colhendo os frutos de uma excelente carreira de mais de 20 anos e uma sequência de dois discos matadores, “Antípodas” (2017) e “Legados do Inframundo” (2014).
Afora a técnica e precisão que sobra em todos os integrantes, o trio é muito presente e atuante no palco. Susane Hécate comanda os teclados e voz, com uma interpretação facial, ressaltando os belos temas abordados de suas letras em português. Marcos Thormianak mostra que é possível fazer Pagan Black Metal bem tocado e sua habilidade com a guitarra é incrível, dentre várias passagens complicadas e bem estruturadas que a banda cria. Ele também se movimenta muito pelo palco e interage quase que constantemente, tanto com o público quanto com os outros integrantes. Ao fundo, o baterista Matheus Nygron destrói a bateria com bastante precisão, em várias passagens rápidas, que contam com complexas viradas e blast beats.
“Dimensão Totêmica Ancestral” abriu o show, logo seguindo para a “Coniupuyaras”, do último disco e foi um bom aquecimento para a destruição que estava por vir, chamada “13 Ahau Katún”. Que música espetacular! Ela é devastadora em velocidade, mas impõe melodia e acaba com um belo solo de Thormianak. Sem dúvidas foi um dos pontos altos do show.
Antes de tocarem “Deuses da Aurora Ancestral”, Marcos mostrou-se emocionado ao dedicar essa música a Samuel Garrido (Subterror), um músico que era presente na cena brasiliense e infelizmente se foi recentemente de uma forma precoce e trágica. Após um pequeno incidente com o suporte da caixa de bateria, que logo foi arrumado, foi a vez da música “Antípodas” dar espaço a vocais mais limpos de Hécate, mostrando a versatilidade da banda em fazer um som extremo, mas com técnica e indo na direção oposta do Black Metal tradicional, apesar de não abandonarem essa raiz.
Com um set focado no material recente, mas sem deixar os trabalhos antigos de fora,a banda encerrou o show com a clássica “XVI” e comprovaram o porque são uma grande força no metal nacional e estão conquistando o mercado internacional também. Música bem feita, bem tocada e músicos que esbanjam garra e simpatia. Ao final do show não faltou fãs e integrantes das outras bandas dando parabéns ao grupo.
Uma boa forma de fechar os shows de 2018, com um evento bem organizado tanto no som, quanto na estrutura.
Parabéns a todos os envolvidos.
Setlist Miasthenia:
Dimensão Totêmica Ancestral
Coniupuyaras
13 Ahau Katún
Ossário
Entronizados na Morte
Deuses da Aurora Ancestral
Antípodas
Araka’e
Novus Orbis Profanum
XVI





