Miasthenia – “Espíritos Rupestres” (2024)
Independente
#BlackMetal
Para fãs de: Luxúria de Lilith, Ocultan, Eternal Sacrifice
Texto por Matheus “Mu” Silva
Nota: 9,5
Sete anos após o aclamado Antípodas (2017), a banda de Black Metal Miasthenia finalmente lançou seu sexto disco de estúdio, Espíritos Rupestres, de forma independente.
Diretamente da capital do país, e sendo uma das bandas de Black Metal mais antigas ainda na ativa, o Miasthenia é um dos nomes mais respeitados da música extrema brasileira. Seu som explora a história indígena e o folclore brasileiro, tanto nas composições quanto na estética, trazendo uma riqueza única à sua musicalidade. Com os vocais poderosos de Suzane Hécate desde o início, em 1994, a banda foi uma das pioneiras em contar com uma vocalista feminina em uma banda de extremo, aliada ao guitarrista Thormianak (presente em todos os discos de estúdio), entregando marcos do Black Metal brasileiro, como XVI (2000) e Supremacia Ancestral (2008), que consolidaram o nome da banda ao longo dos anos. Hoje, a formação conta com outras duas mulheres: Aletea (baixo) e Lith (bateria).
“Evocação” abre o disco com peso e uma produção impecável, em uma faixa cadenciada com um instrumental primoroso, além de Hécate, com seu vocal inconfundível e cheio de ódio, começando o álbum com intensidade. Segue com a brutal Bruxa Xamã, uma faixa impiedosa, cheia de blasts e com um ritmo esmagador, sem tempo para respirar. Nela, Hécate canta de forma limpa em alguns trechos, trazendo um contraste interessante, além de um solo matador de Thormianak. Cárcere da Inquisição, uma das mais curtas do disco, mantém a qualidade da composição, com cânticos inseridos em meio à brutalidade. Saga dos Mil Povos e Guerra dos Bárbaros são faixas consistentes, mas Tapuia Marcha eleva novamente a música da banda, com um refrão marcante e característico do som do Miasthenia, além de valorizar elementos sinfônicos, que sempre se encaixaram na musicalidade do grupo e aqui são explorados com maestria. Contudo, o uso desses elementos parece um pouco excessivo em Guardiã dos Mistérios Rupestres, onde o excesso de teclados passa a sensação de que algo está “sobrando” na música. Mas em Espíritos Rupestres, o álbum retoma seu equilíbrio: é o Miasthenia clássico, puro e autêntico. Transmutação encerra a obra, soando quase como um Heavy Metal na maior parte de sua execução, exaltando a já reconhecida versatilidade da banda, em uma das faixas mais completas do disco.
Espíritos Rupestres é mais um ponto alto na discografia do Miasthenia. Um disco magnífico e impecável, que consegue alcançar a qualidade de seu álbum anterior, superando-o em alguns momentos. Certamente, está no Top 3 do ano.





