
Black Void – “Antithesis” (2022)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#BlackMetal, #PunkRock
Para fãs de: Devil Master, Darkthrone, Midnight
Nota: 8,0
Existem alguns músicos que sempre apresentam ideias intermináveis para novos projetos, nos mais diversos subgêneros do Metal. Este é absolutamente o caso do baixista/vocalista Lars Are Nedland, que tem sido um membro de longa data dos noruegueses Borknagar, e é a principal força criativa por trás da banda de Hard Rock White Void. No entanto, onde Nedland parece mostrar seu lado mais leve (instrumentalmente, pelo menos) com White Void, ele aparentemente encontrou uma maneira de liberar seu lado mais sombrio e primitivo no projeto chamado Black Void. Juntando-se a ele está o colega do White Void, Tobias Solbakk na bateria e Jostein Thomassen, do Borknagar, nas guitarras. Assim o compositor apresenta seu álbum mais obscuro e musicalmente abrasivo até hoje sob o nome de “Antithesis”.
Desde o início do álbum, a ênfase está em uma boa e velha energia Punk Rock. “Void” dá o tom perfeito do que está por vir no resto do álbum com seus grooves contagiantes e gritos ao estilo Black Metal. No entanto, a faixa não se mantém em um único ritmo, com passagens de instrumentação suave e partes faladas, levando a um solo de guitarra melódico mostrando que o trio tem a capacidade de mudar o roteiro a qualquer momento.
“Reject Everything” saiu como single e é uma das músicas mais cruas do álbum, com a bateria pesada, guitarras cortantes e alguns dos vocais mais impressionantes que você provavelmente encontrará nos 39 minutos de duração do disco. Ela tem uma pausa no meio que traz um ar de Post-Metal, com um canto quase Folk que adiciona outra camada à música e faz com que tudo pareça muito maior. Ao longo do álbum, não há sinais de perda de ritmo, com a linha de guitarra que abre o “Tenebrism Of Life” soando como se pudesse ter sido tirada diretamente de um álbum de Power ou Viking Metal com sua sensação de hino.
“Explode Into Nothingness” atrai o ouvinte com uma introdução controlada antes de mergulhar a todo vapor em uma coletânea de riffs distorcidos e bateria barulhenta, complementado por vocais mais uma vez se aproximando do Folk, adicionando uma camada contrastante de melodia. O destaque também vai para a última faixa “Dadaist Disgust” que conta a participação do frontman do Rotting Christ, Sakis Tolis. A banda ter conseguido atrair um convidado tão conhecido e respeitado para seu álbum de estreia é uma prova do que está sendo construído aqui, com uma obra bem trabalhada e tingida de Black Metal.
O fato de este ser um álbum de estreia de uma banda relativamente nova surpreende, já que os músicos não ficam presos a um estilo único de som. O resultado é um dos álbuns mais fortes do ano e uma ótima base para o Black Void continuar lançando novos trabalhos.
Lucas David









