
Cannibal Corpse – “Vile” (1996/2022) (Relançamento)
Metal Blade Records | Rock Brigade Records | Voice Music
#DeathMetal
Para fãs de: Death, Massacre, Pestilence, Cancer
Nota: 9,5
Depois de lançar o excelente “The Bleeding”, o Cannibal Corpse estava pronto para avançar ainda mais musicalmente e brutalmente falando. O disco rendeu ótimos elogios e foi um ponto alto na carreira da banda, porém o que ninguém esperava é que o vocalista e mente criativa das letras cheia de gore, Chris Barnes, deixaria a banda para focar em seu projeto paralelo, que se tornou o principal, Six Feet Under, durante as gravações de “Vile”.
Muitos ficaram com o pé atrás, achando que a banda não seria capaz de continuar sem o talento do vocalista, só que o Cannibal surpreendeu mais uma vez e trouxe um dos melhores vocalistas que o metal da morte conheceu: George “Corpsegrinder” Fisher. Vindo do Monstrosity, Corpsegrinder trouxe um novo ar a banda, com vocais ainda mais doentios, violentos e uma presença de palco insana (veja vídeos do vocalista fazendo windmill).
Outra mudança aconteceu no logo da banda, trazendo uma cara nova a ele, já que o antigo foi criado por Chris Barnes e foi o último álbum a contar com o guitarrista Rob Barret, que voltaria a banda 10 anos depois no álbum “Kill”. O disco foi produzido novamente pelo gênio Scott Burns e contou com uma capa perturbadora (assim como a maioria dos discos da banda) feita pelo artista Vincent Locke. Outro ponto a se destacar é que “Vile” foi o primeiro álbum de Death Metal a entrar nas paradas da Billboard, na posição #122 no ano do lançamento, mostrando que esse foi um grande feito para a banda e para o metal extremo mundial.
Falando das músicas, a faixa de abertura “Devoured By Vermin” se tornou um clássico absoluto, sendo uma das mais tocadas nos shows da banda e cantada a plenos pulmões pelos presentes. Não por menos, a faixa começa com uma avalanche de blast beats, palhetadas rápidas da dupla Jack Owen e Rob, além de ter um urro gutural de George “Corpsegrinder”. Na metade da faixa aparece um som mais grooveado apenas para retomar a velocidade destruidora do início. Existe uma “demo tape” chamada “Created to Kill” que conta com algumas versões das faixas presentes em “Vile” onde Chris Barnes aparece cantando as faixas, incluindo “Devoured…”.
“Mummified in Barbed Wire” mantém a pegada da primeira faixa, com uma estrutura semelhante indo da velocidade para um grooveado e voltando para a velocidade novamente. “Perverse Suffering” alia a técnica à velocidade e se torna uma faixa grandiosa no disco enquanto “Disfigured” se inicia de forma empolgante e balanceada, com um “riff” impecável e de fácil assimilação, ganhando mais velocidade em sua metade. “Bloodlands”, por sua vez, começa de forma bem arrastada e depois passa a ser permeada por variações de andamento bem construídas, se encerrando de forma devastadora e maníaca.
“Puncture Wound Massacre” chega destruindo os tímpanos com uma avalanche de riffs, vocais rápidos e brutalidade acima da média, sendo a faixa mais curta do disco (você nem percebe quando ela acaba). “Relentless Beating” é uma faixa instrumental que mostra como a banda tem grandes músicos no time, sem nunca nos esquecermos do baixista Alex Webster e do baterista Paul Mazurkiewicz. “Absolute Hatred” mescla mais momentos cadenciados e velozes em mais uma música incrível e “Eaten From Inside” mergulha no som mais cadenciado, mas sem deixar de mostrar brutalidade e peso. Destaque para o solo logo no início cheio de melodia e inspiração.
“Orgasm Through Torture” além de ter um nome fantástico, diga-se de passagem, mantém o ritmo em alta, com mais riffs sujos e “moedores” de carne e destacando os vocais de Corpsegrinder. Já o final fica a cargo de “Monolith”, uma faixa que alterna novamente entre a velocidade e as partes cadenciadas, sem deixar de lado a aura sombria, pesada e cheia de gore presente em todas as faixas, se tornando uma das favoritas de muitos fãs.
“Vile” faz jus a seu título, sendo uma obra vil, maligna e brilhante. Muitas vezes as trocas de integrantes das bandas acabam as deixando perdidas, principalmente quando é um vocalista que se tornou icônico e referência para muitos que se propuseram a seguir seus passos, porém aqui o Cannibal Corpse mostra que acertou em cheio na escolha, e fez com que George “Corpsegrinder” Fisher lançasse a banda ao estrelato, angariando mais fãs e dando força a banda. A Voice Music, Rock Brigade Records e a Cold Art Industry estão relançando “Vile” em formato de luxo, com slipcase envernizado, encarte com letras e fotos e som remasterizado por Fabio Golfetti. Aproveite e consiga mais essa obra do metal extremo para a sua coleção.
Lucas David









