Cryptopsy – “As Gomorrah Burns” (2023)
Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#DeathMetal #BrutalDeathMetal #TechnicalDeathMetal
Para fãs de: Suffocation, Dying Fetus, Deeds of Flesh
Texto por Lucas David
Nota: 9,0
Quando paramos para pensar em quais bandas de Death Metal ficaram marcadas na história, poucas tem o mesmo impacto que o Cryptopsy, ainda mais nas variantes Brutal/Technical. Os discos lançados pela banda canadense sempre foram ótimos, destacando é claro o clássico “None So Vile”, e agora com seu oitavo disco de estúdio, “As Gomorrah Burns” a banda mostra que manteve a mesma força dos anos dourados do estilo, e faz desse um de seus melhores lançamentos até agora.
“Lascivious Undivine” vai direto na jugular, com riffs de guitarra estonteantes, uma bateria pesada e punitiva e vocais agressivamente bons que jogam o ouvinte em uma mistura de Death Metal brutal e técnico. Ainda cabem alguns momentos em que o frenesi fica de lado, com certo respiro que logo volta a quebrar tudo novamente. “In Abeyance” continua em uma linha semelhante, com a bateria entregando uma pancadaria sem fim e guturais ferozes, porém sendo mais curta, com a explosão sendo mais vigorosa e assim se destacando.
“Godless Deceiver” mantém o ritmo frenético, indo para velocidades alucinantes e caóticas, com um solo de guitarra incrível e uma bateria que surpreende. Esse som mais visceral se destacou ainda mais devido a produção que deixa a faixa limpa, sem distrações para o peso e sujeira que cada membro proporciona. “Flayed The Swine” é uma aula de guitarra virtuosa, com a bateria correndo em andamentos intrincados e um baixo que deixa tudo ainda mais alto e potente, com seu som saltando nos ouvidos.
O disco termina com “Praise The Filth”, uma faixa que pega o melhor de cada uma das anteriores, mistura tudo e ainda adiciona uma dose extra nos guturais cavernosos, sendo uma forma apropriada de encerrar um disco com muitos pontos altos.
É comum que, com três décadas de trabalho e oito álbuns de carreira, você não espera que uma banda lance o que é indiscutivelmente não apenas o seu melhor trabalho em anos, mas também alguns dos seus melhores trabalhos de todos os tempos, o que torna este álbum ainda mais impressionante. Em vez de descansar sobre os louros, o Cryptopsy criou um álbum que está genuinamente à altura de nomes como “None So Vile” e “Blasphemies Made Flesh”, ambos clássicos consagrados. Sem dúvida, o intervalo de 11 anos entre este álbum e o último – o autointitulado de 2012 – permitiu à banda germinar as ideias que aparecem aqui e tornam este álbum tão impressionante. Normalmente, nas resenhas, chega-se o momento de dizer que “eles voltaram a forma”, porém o Cryptopsy nunca perdeu a essência e a força que tem no cenário, e com “As Gomorrah Bruns” eles conseguem reafirmar o porquê de estarem entre as melhores bandas de Brutal/Technical Death Metal de todos os tempos.





