DarkTower – “Obedientia” (2019)

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DarkTower – “Obedientia” (2019)
Electric Funeral Records | Extreme Sound Records Cangaço Rock Comunicações | Native Blood Produções
#MelodicBlackMetal#DeathMetal

Para fãs de: Dimmu BorgirDark Funerall, Old Man’s Child, Rotting Christ, DissectionCradle of FilthIn the Woods…

Nota: 10

Angustiante, desesperador, inesperado, tenso, pesado, agressivo, inspirado e com muitos momentos de pura insanidade e com tudo isso, ainda temos belas inserções de melodias marcantes. Acredito que essas palavras acima podem exemplificar o que ouvi em “Obedientia”, o terceiro trabalho de estúdio do DarkTower, um grupo que carrega em sua essência o Black/Death Metal, mas que após o lançamento do novo álbum será difícil achar rótulos e subgêneros, tudo graças a uma grande variedade de influencias “mais leves” como Dark Metal, Doom Metal e Gothic Metal e até mesmo um toque progressivo em algumas passagens instrumentais, gerando uma originalidade impar e complexa.

Aos primeiros segundos da introdução “Punishment”, você entrará num mundo obscuro, com dedilhados acústicos de um violão, ruídos cheios de suspense, onde a cada instante a densidade vai crescendo até que um urro amaldiçoador aparece. Pois bem, você adentrou de um mundo sem volta. Os riffs técnicos de “Downfall” e “God Above Nothing”, nos fazem sentir o caos rasgando a nossa podre carne humana com tamanha energia que emana da massa sonora que o foi aplicada nas faixas, algo que é sentido por todo disco, mostrando que a prioridade foi evoluir, mas sem perder a essência brutal que a banda carrega desde os seus primórdios com a demo “ Specters Arrival” (2008).

Algo que chama bastante atenção foram algumas linhas mais “Thrashers” em algumas passagens das músicas “Praxis Against Ingnorance “ e “Rites Of Conscience “ fazendo uma boa intercalação daquela coisa mais técnica e abafada do Thrash Metal, com a rispidez e tons épicos do Black Metal. Um fator que deve ser muito destacado e sentido por todos, é o crescimento que “Obedientia” representa. Uma enorme evolução na carreira do DarkTower, seja por sua impactante e audaciosa concepção estética e sonora, seja por suas letras atuais, de cunho filosófico/social; temos aqui um profundo manifesto contra nosso falido sistema, regido por culturas arcaicas, religiões ditatoriais e sofismas político, onde a saga humana é a mesma de séculos passados e assim sempre será: de lugar algum para lugar nenhum.

O fechamento do álbum se faz com a serena, “… As The Obedient Marches To The Abyss”, carregada de espaçosas notas e melodias que transmitem um falso sentimento de trégua (um retrato da nossa teatral vida real, onde a violência e estupidez são adornados com risos e vazias esperanças).

Beleza, mácula e realidade são as cores mais fortes e vivas na “desgraçada” tela desenhada pelo grupo. Enquanto nomes consagrados se aprofundam cada vez mais em produções grandiosas, mas desprovidas de expressão e conteúdo, trazendo consigo algo broxante, o DarkTower usa a sua arte para promover a reflexão, o questionamento e lançar ao solo todos os conceitos pré-fabricados com quais convivemos todos os dias.

Se a arte em si não contém verdade alguma, tão logo não deve ser chamada de arte e “Obedientia” é arte em cor, som e crueza. A banda, em breve, terá um link para pré-venda do álbum e, por favor, compre e apoie, pois se existe alguma beleza no caos, este disco é a real prova disso.

William Ribas

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