Death
– “Scream Bloody Gore” (Relançamento) (2016)
Relapse Records
#DeathMetal
Nota: 10
“What You Have In Your Hands is Death Metal History”. É com essa informação que começamos a destrinchar esse que talvez seja o capítulo mais importante da música extrema. “Scream Bloody Gore”, álbum de estreia do Death, originalmente lançado em 1987, tem uma carga histórica nas costas, pois quase tudo que conhecemos por Death Metal surgiu disso aqui. Usar de adjetivos como “gênio” para definir Chuck Schuldiner talvez não dê a real dimensão da importância do sujeito na fundação de todo um cenário.
Indubitavelmente, Chuck sempre esteve muito à frente de seu tempo em termos de musicalidade e criatividade. O cara conseguia criar obras brutais em sua essência, mas com um toque de refinamento, de beleza pura e espontânea. Ouvindo “Scream Bloody Gore” hoje percebemos que, apesar dos 30 anos de bagagem, o álbum ainda soa atual e relevante, e isso, amigos, deve-se e muito a capacidade de criar e inovar de Schuldiner.
Como um poeta ou um artista que trabalha e molda sua arte à sua imagem e personalidade, Chuck concebeu o álbum mais valioso e imprescindível do gênero. Abjeto, grotesco, violento e técnico, “Scream Bloody Gore” faz do peso e da densidade de suas composições o trajeto perfeito, a conexão, entre os músicos e o público que estava se adaptando a essa sonoridade brutal e grandiosa.
À época, o Death era apenas uma dupla, com Chuck sendo o responsável pelo impecável trabalho das guitarras, além dos vocais e do baixo, e com a bateria ficando a cargo de outro monstro do estilo: Chris Reifert (que todos conhecem como o baterista/vocalista do Autopsy). Tudo isso sendo composto e executado por dois amigos de escola dá uma ideia do patamar em que se encontravam os dois indivíduos.
O repertório compreendido em “Scream Bloody Gore” é de encher os olhos (e ouvidos, principalmente). Composições ricas, técnicas, variadas e poderosas serviam de inspiração para o mundo. Não há, repito, não há um momento, um detalhe, um resquício de algo que estivesse em desencontro. É tudo perfeito, em total congruência e sintonia. Momentos históricos e marcantes como “Infernal Death”, “Zombie Ritual”, “Sacrificial”, “Baptized in Blood”, “Torn to Pieces” e a faixa título constituem o capítulo mais importante da saga denominada “Death Metal”. Muitos vieram após esse fenômeno, inúmeros, mas nenhum com tamanha relevância.
A gravadora americana Relapse Records relançou a obra em 2016 com toda pompa e circunstância que a mesma merece. O digipack triplo, com capa em alto relevo e um livreto contando a história do disco é de uma beleza sonora e gráfica poucas vezes vista. Além do álbum original, remasterizado das fitas originais, temos ainda no segundo e terceiro discos uma gama enorme de faixas, demos do álbum e outras tantas, muitas delas nunca antes lançadas. É para o fã penhorar até as calças, mas adquirir esse material é uma obrigação cívica e moral, pois trata-se de um registro dos mais épicos. Os primórdios do gênero estão aqui, e merecem ser revisitados inúmeras vezes. A definição de clássico atemporal está aqui.
Ricardo L. Costa





