Deicide – Clash Club, São Paulo/SP (12/08/2017)

deicide-2017
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Deicide
Local: Clash Club, São Paulo/SP
Data: 12/08/2017
Produtoras: Solid Music Entertainment | Continental Concerts & Management GmbH

Por Ricardo L. Costa

Ainda em turnê de divulgação de “In The Minds of Evil” (2013), seu último registro inédito, o Deicide aportou novamente em nosso país para uma série de apresentações, que incluiu Belo Horizonte, Fortaleza, São Paulo e Novo Hamburgo. Na capital paulista, o local escolhido foi o Clash Club, no bairro da Barra Funda.

Lugar muito conhecido dos headbangers, já tendo recebido grandes nomes do Metal extremo nacional e internacional, a casa é bem intimista, com palco pequeno e bem próximo ao público, contando com ótimo sistema de som e fácil acesso, bem próximo ao metrô, o que facilita muito o deslocamento até o local. A abertura da casa se deu às 18:30, e nossos anfitriões adentraram o palco por volta das 20:00, para loucura e histeria de todo recinto, que a esta hora contava com a lotação bem próxima do máximo.

Sem introduções mirabolantes, sem pirotecnias estapafúrdias, sem saudação alguma, Glenn Benton e sua horda já começam destruindo o estabelecimento com “Scars of the Crucifix”, faixa título do álbum de 2004, e neste momento já me veio uma importante constatação: Benton não estava lá com a intenção de estabelecer relações diplomáticas com seu público, mas sim açoitá-los e dilacerá-los com o melhor Death Metal já produzido pela mãe Flórida.

Na sequência vieram “When Satan Rules His World” e “In The Minds of Evil”, duas tijoladas pra quebrar dentes e pescoços. Apesar da interação praticamente nula com a platéia, a banda mantinha todos sob seu total domínio, seja pelo carisma de seu frontman, seja pela atuação entrosadíssima de todos os integrantes. Mark English (Monstrosity), guitarrista que ocupou a vaga deixada por Jack Owen, apesar da timidez no posicionamento de palco, toca pesado, muito pesado, demonstrando toda a habilidade e destreza que o grupo necessita.

Eu já tinha essa certeza, mas que depois desse show só veio a se confirmar: Steve Asheim é o melhor baterista do Death Metal americano e um dos cinco melhores do mundo, sem sombra de dúvida. E isso porque ainda estávamos no início do espetáculo e eu ainda tinha muitos detalhes a analisar, mas estamos aqui pra isso. A esta altura, a temperatura ambiente estava elevada, nos aproximando do inferno, e “Children of The Underworld” e “Death to Jesus” nos tragava até lá. Som alto, nítido, pesado ao extremo, que realçava ainda mais as composições em relação aos registros de estúdio.

Impressionante como Glenn Benton é a cara da banda. Impossível imaginar a mesma com outro vocalista/baixista. Ele tem fama de poucos amigos, mas quem se importa? Desde que faça seu trabalho direito, tá tudo certo. E ele o fez, e como fez! Como um Ramones forjado na mais quente labareda infernal (só faltou o “one, two, tree, four”), a banda emendava um clássico atrás do outro, ininterruptamente. “Oblivious to Evil”, “Trifixion”, “Mephistopheles” (alguém se lembrou do “chirrin-chirrion” do diabo?) e “Serpents of the Light” criaram alguns dos momentos mais insanos e perfeitos que já presenciei em termos de performance ao vivo.

Metade do espetáculo já havia sido executado, o calor e o cansaço já começavam a pesar, mas o público tinha sede de Death Metal satânico, e seu desejo foi prontamente atendido com “Blame it on God” e “Dead But Dreaming”. O “circle pit”, em vários momentos, foi de uma selvageria tão sanguínea e visceral, que algum osso poderia ser quebrado ou algum orgão poderia ser rompido. Acho que não chegou a esse ponto. Era hora de executar um de seus maiores clássicos. “Once Upon The Cross” é controversa, imunda, blasfema, e ao vivo tem o poder de uma legião de mil demônios. Meu Deus do céu (ops), que coisa linda. Que momento épico.

Mesmo após toda a intensidade, toda a energia exposta, o Deicide se mantinha firme. Steve Asheim, no alto de toda sua técnica e força física, ministrava um seminário de como executar “blast beats” com a máxima perfeição e máximo rendimento. Chega a ser emocionante de ver. Kevin Quirion e Mark English dividiam bases e solos de forma honesta, precisa e encorpada. Certamente, foram uma ótima escolha para o posto das seis cordas. E Glenn Benton? Tem nem o que falar! O cara é icônico, lendário, e merece esse status.

O final se aproximava, infelizmente. A esta altura tínhamos suor, lágrimas e corpos pelo chão (de verdade, mas mais por abuso de álcool do que por qualquer outra coisa), mas precisávamos de mais, como o combustível pra nossas vidas, e tivemos . “Kill the Christians” e “Deicide” formaram uma dobradinha infernal e soaram ainda melhores ao vivo. “Sacrificial Suicide” e “Homage for Satan” vieram fundidas em um medley perfeito, como uma autêntica e brutal homenagem ao sete peles.

Era chegado o fim, e nada melhor que “Dead by Dawn” – provavelmente o maior clássico da banda -, pra encerrar com chave de ouro tão magnífico e esperado evento. Banda se despede. É hora de voltar pra casa, com o ouvido supurado, pescoço destruído, mas com a certeza do dever cumprido e o espírito renovado. Minha banda preferida do Death Metal americano sempre foi o Obituary, porém, após eu descobrir do que o Deicide é capaz ao vivo, esta posição está seriamente comprometida. E a ansiedade pelo próximo disco é crescente e latejante. Que noite memorável!

Setlist:

1- “Scars of the Crucifix”
2- “When Satan Rules His World”
3- “In The Minds of Evil”
4- “Children of the Underworld”
5- “Death to Jesus”
6- “Oblivious to Evil”
7- “Trifixion”
8- “Mephistopheles”
9- “Serpents of the Light”
10- “Blame it on God”
11- “Dead But Dreaming”
12- “Once Upon The Cross”
13- “Kill The Christian”
14- “Deicide”
15- “Sacrificial Suicide/Homage for Satan”
16- “Dead by Dawn”

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