
Dream Theater – “Distance Over Time” (2019)
Inside Out Music | Hellion Records Brazil
#ProgressiveMetal
Para fãs de: Symphony X, Fates Warning, Queensrÿche
Nota: 9,0
Contando mais de 30 anos de uma carreira que a consagrou como a maior banda de Prog Metal da história, o Dream Theater apresenta ao mundo seu décimo quarto disco de estúdio, somando a uma discografia variada e cheia de pérolas.
Mas é claro que, como acontece com todas as grandes bandas, houve altos e baixos. “The Astonishing” (2016), último lançamento dos caras, foi recebido de forma fria (pra dizer o mínimo) pela crítica e público mundial. Por isso, deixando de lado a megalomania e um certo pedantismo que a meu ver marcaram aquele trabalho, o grupo resolveu olhar para o próprio umbigo e dar um passo mais seguro. Desde o início, ficou claro que “Distance Over Time” seria algo mais simples e direto, com faixas mais rápidas e “na cara”. Enfim, um metalzão mais cru se comparado com os devaneios do disco anterior.
Mas é claro que palavras como “simples”, “direto” e “cru” devem ser ouvidas com o devido tempero quando se trata de Dream Theater. A sonoridade que fez a banda ser o que é continua plenamente presente. Temos aqui harmonias complexas, tempos praticamente impossíveis, perfeição técnica em cada detalhe, melodias belíssimas, levadas épicas, enfim, todas as marcas registradas do DT. Porém, após ouvir o disco algumas vezes, a minha impressão é de que o mais marcante é a força dos riffs, e não instrumentais psicodélicos, passagens enormes de exagerada cadência ou o tamanho das músicas, como em obras anteriores.
Portanto, temos um padrão de faixas com riffs poderosos, diretas e fáceis de entender e gostar, mas que contam em seu miolo com levadas progressivas típicas, daquelas que fazem nós, reles mortais sem capacidades sobrenaturais de tocar instrumentos, a pensar “o que é que esses caras tão fazendo???”. Com essa pegada, a banda faz com que sua incrível capacidade técnica seja usada sobre um alicerce de Heavy Metal, e não o contrário.
Nessa linha segue a excelente “Untethered Angel” e seu refrão memorável, “Room 137” e seu ritmo cativante e “Pale Blue Dot”, em que o tal miolo prog é levado às últimas consequências. A exceção fica por conta de “At Wit´s End”, essa sim tipicamente progressiva, longa e cheia de alternativas harmônicas. Além das faixas mencionadas, “Fall Into The Light” a agitada “Viper King” também merecem o meu destaque.
Enfim, se a ideia era se voltar ao que faz de melhor, e não tentar dar um passo maior que a perna, o Dream Theater acertou na mosca. Se não chega a ser um “Awake” (1994) em termos de peso, pegada e inspiração, “Distance Over Time” com certeza bota a banda novamente nos trilhos. Um disco que tem absolutamente tudo pra cair direitinho no gosto nos fãs da banda. Não deixe de ouvir!
Luiz Gustavo Santos





