Lá para os idos de 2000 e pouco, o Pleasure Maker conseguiu o que talvez nenhuma banda de Glam Metal e Melodic Rock brasileira tenha conseguido: com seu álbum de estreia, obter destaque na muitas vezes preconceituosa mídia especializada estrangeira. Veículos de referência como a japonesa Burrn! e o site sueco Melodic.Net foram alguns dos que reconheceram a qualidade do som capitaneado pelos riffs e solos do guitarrista Alex Meister. Depois de “Love on the Rocks” (2004), vieram “Twisted Desire” (2008) e quase uma década dedicada a outros projetos, incluindo um CD solo de Meister (“My Way”) em 2011. Em 2017, a retomada das atividades do Pleasure Maker foi oficializada com o relançamento de “Love…” e o anúncio de um terceiro álbum, que está pronto para ser lançado. O Metal Na Lata bateu um papo com Alex, que conta tudo o que você precisa saber sobre “Dancin’ With Danger”, o álbum de hard rock brasileiro mais aguardado do ano. Confira!
Por Marcelo Vieira
Metal Na Lata: Dez anos se passaram desde “Twisted Desire”. O que rolou de lá para cá?
Alex Meister: A banda pausou suas atividades em 2010. Chegamos a nos reunir em 2014 para uma apresentação comemorativa pelos dez anos de “Love On The Rocks”. Mas, durante este hiato, me dediquei a trabalhos novos e diferentes, como meu CD solo instrumental “My Way” lançado em 2011, ou até a participações em músicas de outros artistas como “Secrets” do Paradise Inc, ao lado do vocalista Mark Boals (ex-Yngwie Malmsteen) e Edu Ardanuy (ex-Dr. Sin) em 2012, e com o argentino Alec Michels na faixa “Sacrifício” de seu CD “Marcado a Sangre” em 2016. Com este último, fiz o projeto Meister-Michels, com o qual nos apresentamos na Argentina e no Brasil em 2015. Além disso, criei bandas tributo ao Def Leppard e Europe para tocar aqui no Rio de Janeiro, onde nos apresentamos regularmente há alguns anos. Ao mesmo tempo, eu me dediquei a ocupação de revisor técnico de livros de música para algumas editoras. Fora tudo isso, continuo ministrando aulas de guitarra na cidade do Rio de Janeiro e online para qualquer parte do país. Esta função ocupa a minha agenda quase inteira há pouco mais de vinte anos.

Metal Na Lata: Em que momento da última década “Dancin’ With Danger” começou a ser rascunhado?
Alex Meister: O “Dancin’ With Danger” foi composto entre Janeiro e Fevereiro de 2017. Cheguei a aproveitar algumas ideias antigas que havia criado e arquivado em 2009 para a banda, mas nunca usadas até então, assim como a música “Chains Of Love” que compus pro projeto Meister-Michels em 2015, agora finalmente editada com o Pleasure Maker.
Metal Na Lata: Como funciona o seu processo de composição?
Alex Meister: Meu processo de composição é extremamente rápido. Normalmente gasto de meia a uma hora construindo toda a harmonia e a melodia, partindo da composição do refrão, e em seguida todo resto é criado. Foram compostas 15 músicas, 13 completas e mais duas já devidamente arquivados para o quarto CD em 2020!
Metal Na Lata: Quanto do material presente no novo álbum foi gravado no seu home-studio? E o restante?
Alex Meister: Todas as trilhas de guitarra e baixo foram gravadas integralmente em meu home-studio e as de bateria, teclados e vocais no Locomotiva Estúdio (ambos no Rio de Janeiro). A mix e master foram realizadas no Sonoro Brasil (São Paulo). A pré-produção também foi dividida entre meu home-studio e o Locomotiva.
Metal Na Lata: “Dancin’ With Danger” conta com alguma participação especial certo? Conte-nos a respeito.
Alex Meister: Neste álbum contei com duas participações muito especiais. A primeira, e já tradicional, de Sidney Sohn, já considerado pela banda o quinto integrante, pois gravou praticamente todos os teclados em todos nossos CDs. E também com a inédita de Gus Monsanto participando, e dando ainda mais brilho aos backing vocals gravados nesta produção juntamente comigo e o vocalista C. Marshall.
Metal Na Lata: Como foi trabalhar com Henrique Baboom? O que exatamente ele faz no disco?
Alex Meister: Foi excelente trabalhar com o Baboom! Ele era a peça fundamental de que precisava pra finalizar a produção este disco. Ele trouxe esse estilo de mixagem e masterização moderna, que é adotado pelas bandas europeias contemporâneas de Hard Rock. Algo que eu nunca procurei trabalhar e alcançar, mas pelo contrário, sempre perseguia a sonoridade cristalina, com timbres perfeitos, que existiam nas produções feitas no final dos 80 e início de 90, com os recursos disponíveis nos dias de hoje. Algo impossível, pois a realidade dos estúdios, periféricos e profissionais envolvidos naquela época, era de nível “estelar”, além das cifras “estratosféricas” investidas pelas gravadoras nessas produções, devido ao estilo render muito lucro. Isso tudo é extremamente distante dos padrões atuais. Resumindo, com a parceria do Baboom conjugamos a sonoridade de mix e master atuais com a forma de compor, arranjar e produzir usada nos anos 80!

Metal Na Lata: Você teve uma ajuda interessante nas letras. Pode nos contar sobre?
Alex Meister: Ah sim! Tive a parceria de minha esposa Helena T Meister colaborando com quatro letras para esse novo disco, além de também ter composto a letra e todo o padrão de melodia de voz da faixa “Chains Of Love”! Mas a colaboração dela não é novidade no Pleasure Maker, pois ela já havia colaborado na maioria das letras do CD “Twisted Desire” e também atuava como manager da banda de 2004 à 2009, divulgando por internet e agitando a distribuição dos CDs com nossos parceiros do Brasil, América do Norte, Europa e Japão.
Metal Na Lata: Em comparação aos dois álbuns anteriores do PM, como você classificaria “Dancin’ With Danger”? Quais os pontos fortes e diferenciais aqui?
Alex Meister: Eu classifico o “Dancin’ With Danger” diferente em dois importantes aspectos. Primeiramente este trabalho não apresenta tantos elementos do AOR, como era nos CDs anteriores, principalmente no “Twisted Desire” onde teclados puxavam riffs principais de algumas faixas, agora dando mais espaço para guitarras e gang vocals, fincando o pé definitivamente no Hard Rock/Hair Metal praticado no final dos 80’s e início de 90’s. E no segundo, e não menos importante, foi a minha forma de compor. Fiz tudo de forma contrária, ao que costumava fazer antes, compondo essas novas músicas. Parti do simples para complicar no final. Por exemplo, fazia primeiro as harmonias básicas de guitarra junto com as melodias de refrão, já imaginando os acordes de vocais, para depois construir todos os riffs, frases e solos. Resultado, fiquei extremamente satisfeito com esse trabalho, como nenhum outro feito anteriormente!
Metal Na Lata: O que motivou a escolha da faixa-título e de “It Ain’t About Love” para músicas de trabalho?
Alex Meister: A escolha de um single para um CD nem sempre é uma missão fácil, e neste novo álbum não foi diferente! Por isso acabei optando por dois, devido a cada uma delas ter estilos diferentes. A faixa título é mais pesada e rápida, e a segunda é mais mid-tempo, porém ambas contém refrões “sing-along” que vão agradar igualmente aos fãs do estilo, que já encontrarão cantando essas músicas em sua primeira audição antes das mesmas terminarem! Ambas as faixas serão disponibilizadas como vídeo clipes, antes do lançamento oficial do CD, no YouTube através de nosso canal.
Metal Na Lata: “Love on the Rocks” e “Twisted Desire”, apesar de terem sido lançados no exterior, no Brasil acabaram sendo lançados pelo seu selo (GMSA), o que, de certa maneira, pode ter limitado a sua distribuição. Tendo em vista que “Dancin’…” sairá pelo selo Animal Records, mesmo do Tales From The Porn, quais são as suas expectativas em relação ao alcance da sua música?
Alex Meister: A minha expectativa dentro do Brasil com a Animal Records e seus parceiros de distribuição nacional (normalmente a Voice) é muito positiva, pois vendo o excelente trabalho feito com o TFTP, imagino que finalmente o Pleasure Maker chegue para uma grande parcela de público do estilo, que nem se quer ouviu falar o nosso nome desde 2004 com o lançamento da versão independente do CD de estréia “Love On The Rocks” até agora. Nunca tivemos um parceiro forte de distribuição no Brasil, pois as gravadoras que tivemos nesse período eram do Japão, EUA ou Europa, e nada queriam com o mercado latino americano. Por este motivo, prensava os CDs aqui por conta própria. E outro bom fruto dessa nova parceria, além da distribuição do “Dancin’ With Danger”, tanto o “Twisted Desire” e a versão relançada em 2016 do “Love On The Rocks” chegarão para o público pela Animal Records! Com relação ao mercado americano, europeu e asiático, creio que conseguiremos atingir mais mercado do que os trabalhos anteriores. Esse CD está sendo licenciado para todos esses lugares nesse momento pelo Carlos Chiaroni.

Metal Na Lata: Recentemente “Love on the Rocks” foi adicionado às plataformas digitais, que já contavam com “Twisted Desire”. É correto afirmar que “Dancin’…” se juntará a eles?
Alex Meister: Claro! Isso é fato que acontecerá!
Metal Na Lata: O que os colecionadores de formatos físicos podem esperar do CD enquanto produto?
Alex Meister: Todos os colecionadores podem aguardar por um CD com uma arte caprichadíssima contendo um encarte com 12 páginas, recheado de fotos, letras e todas as infos sobre a produção do álbum feito sob diagramação de Gustavo Sazes pela abstrata.net, além da belíssima capa feita por Ramon Saroldi. Ele é um produto feito por um apaixonado colecionador de CDs, que sou, para outros colecionadores tão exigentes e aficionados como eu. Acho que o público vai curtir!
Metal Na Lata: Além do novo CD, 2018 trouxe também outra novidade, que é a sua guitarra modelo signature DerMeister. Pode falar um pouco sobre ela?
Alex Meister: A guitarra DerMeister é uma grande novidade que será lançada ao mesmo tempo que o novo CD, fruto da parceria com a 2L Guitars, a mais nova handmade guitar do Rio de Janeiro, onde desenvolvemos uma Superstrat com shape totalmente exclusivo, projeto feito em conjunto de Giorgio Benedittini e Rodrigo Gil. Um instrumento desenvolvido com 24 ou 27 trastes, braço extremamente fino com raio composto 16” e 20”, para deixar as cordas coladas no braço, perfeitas para shred! Além de uma pintura exclusiva onde faço duas homenagens ao mesmo tempo, primeiro a um design de pintura usado por guitarristas de referência dos anos 80 e também uma alusão as cores da bandeira alemã, país da qual tenho parte da minha origem devido ao meu pai e à minha família paterna. Ela estará à venda desde modelos de entrada até a versão top apenas sob encomenda no site: www.2luthiers.com
Metal Na Lata: Em termos de guitarra e outros guitarristas, quais são as suas principais influências?
Alex Meister: Vários guitarristas me influenciaram, mas creio que os mais presentes foram: George Lynch, Reb Beach, Warren DiMartini, Andy Timmons, Matthias Jabs e Steve Vai, dentre muitos outros da geração fabulosa de guitarristas que surgiu ao longo de todo as anos 80. Mas se deixar, ainda cito mais uns cem nomes desta época sem parar! (rs) Além deles, há mais um nome dos anos 70 que também foi muito importante pra mim, Uli Jon Roth! Esse foi o grande gênio da guitarra nesta década. O elo perdido entre Hendrix e Van Halen, porém extremamente underrated por não ter estado nos EUA naquela época.
Metal Na Lata: O CD está com lançamento no Brasil previsto para 23 de março. Onde mais ele será lançado e quais os selos e datas? Haverá faixas bônus?
Alex Meister: Sim! O CD foi licenciado pela própria Animal Records para o selo Steelheart Records na Europa e Japão. Essa versão contará com a faixa bônus exclusiva “She’s Gone Too Far”. Porém, existindo uma versão americana, ela conterá as mesmas 11 faixas da versão nacional.

Metal Na Lata: Está nos planos da banda fazer shows para promover o álbum? O que podemos esperar do repertório ao vivo?
Alex Meister: Faremos alguns shows promovendo nossa volta com esse novo álbum! As primeiras datas serão dia 23/03 no Rio de Janeiro (Calabouço) e dia 7 de Abril em São Paulo (Manifesto) com o Tales From The Porn. De resto tudo depende de negociação para outras cidades de país. O nosso repertório conterá músicas de todos os nossos três CDs, porém privilegiando mais o material mais recente. Mas obviamente não faltarão clássicos como “Just Thinkin’ About U”, “Hard 2 Say Goodbye”, “Twisted Desire” ou “What We Left Behind”!
Metal Na Lata: Quais bandas atuais você indicaria para quem insiste em dizer que não se faz mais hard rock como antigamente?
Alex Meister: Temos grandes bandas representando muito bem o estilo nos últimos 10 anos como: Reckless Love, H.E.A.T., Crazy Lixx, Shiraz Lane, White Widdow, Eclipse entre outras! Vivemos um período de pouco mais de 10 anos após a mudança de mercado, com o surgimento do Grunge no início dos 90 que acabou levando o Hard Rock pro underground alguns anos depois, ficando quase sem nenhum representante do estilo. Quando lançamos o nosso debut “Love On The Rocks” em 2004, os sites e revistas ficaram surpresos e felizes por verem que existia um remanescente perdido entre tão poucos do estilo naquela época, pois praticamente nenhuma dessas bandas que citei acima havia lançado algum CD ou sequer existiam! Poucos anos depois já isso foi mudando!
Metal Na Lata: Deixe seu recado para os leitores do Metal Na Lata.
Alex Meister: Obrigado a vocês do Metal Na Lata pelo espaço! Agradeço também a todos os leitores desse site tão importante dedicado ao Rock e Heavy Metal em geral! Não deixem de conferir nosso novo CD! Ele é realmente de longe o nosso melhor álbum, e espero que agrade aos nossos fãs banda e também a todos os fãs desse maravilhoso gênero musical!
Maiores Informações:
www.pleasuremakerband.com
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