Foo Fighters
– “Concrete and Gold” (2017)
RCA Records
#AlternativeRock, #PostGrunge
Para fãs de: Nirvana, Queens of the Stone Age, Pearl Jam, Red Hot Chili Peppers
Nota: 6,0
Quem acha “Wasting Light” (2011) a oitava maravilha do mundo — eu incluso —, certamente estranhou “Sonic Highways” (2014) e certamente irá torcer o nariz em vários momentos de “Concrete and Gold”. A verdade é que o Foo Fighters parece ter sido mordido pelo bichinho do mid-tempo ou então ter perdido aquele tesão em tocar lances mais pesados e acelerados. Ou pior, e duas ou três deste novo álbum não me deixam mentir: parece estar adequando seu som para o público do Indie Rock, que é quem lota os festivais nos quais, vira e mexe, a banda é escalada como atração principal.
Mas não vejamos o copo meio vazio tão de imediato e ignoremos o fato de que “The Line” é um pastiche de Kings of Leon: “Concrete and Gold” tem seus pontos altos, como “Run”, que parou a Internet quando do lançamento de seu videoclipe em junho passado; “La Dee Da”, que é o mais próximo que Dave Grohl e companhia já chegaram de homenagear o Led Zeppelin em material autoral; e “Arrows”, irmã caçula de “Let It Die” — minha favorita de “Echoes, Silence, Patience & Grace” (2007) — e melhor do álbum.
“Dirty Water” reafirma o gosto por acordes incomuns e harmonias diferentonas enquanto “Sunday Rain”, com Taylor Hawkins no vocal e ninguém menos que Sir Paul McCartney, veja só você, na bateria, soa como fruto de uma jam, preservando inclusive certo caráter de improvisação. Em meio ao concreto, um filete dourado reluz solitário na figura do ex-Beatle, incapaz de exercer seu toque de Midas por aqui. A saideira vem com a faixa-título que à primeira ouvida pode soar pretensiosa em câmera lenta, mas que com o tempo revela-se um pináculo artístico a ser admirado quadro a quadro, ainda que com certo estranhamento/medo de que abordagens assim tornem-se o padrão para o Foo Fighters no futuro.
Obviamente, “Concrete and Gold” receberá o mesmo tratamento V.I.P. de “The Getaway”, do Red Hot Chili Peppers, sobretudo da galera jovem, descolada, que descobriu a banda ontem e aplaude até o pôr-do-sol. Mas a verdade é que ele nunca chegará aos pés nem mesmo do primeiro do Foo Fighters, que Dave Grohl gravou sozinho e com recursos escassos vinte anos atrás.
Marcelo Vieira




