Gorky Park – “Moscow Calling” (1993)
BMG International
Nota: 8,0
As aberturas política e econômica promovidas por Mikhail Gorbachev na segunda metade dos anos 1980 colocaram a União Soviética em evidência nos quatro cantos do mundo. Ficou evidente que o sistema socialista em vigor na terra do Zangief precisava ser substituído — o que acabou acontecendo em 1989 com a queda do Muro de Berlim —, e o que antes era ocultado por uma cortina de ferro passaria a ser do conhecimento de todos os povos. E não é que existia Rock naquelas bandas? Inclusive um quinteto que podia ser chamado de o Def Leppard russo!
O Gorky Park foi formado em 1987, mas só repercutiria dois anos mais tarde após participação no memorável Moscow Music Peace Festival ao lado de feras como Bon Jovi, Cinderella, Mötley Crüe, Ozzy Osbourne, Scorpions e Skid Row. No mesmo ano, o grupo lançaria seu primeiro trabalho, que incluía “Bang”, “Try to Find Me”, “Peace in Our Time” (assinada por Jon Bon Jovi e Richie Sambora) e um cover de “My Generation”, do The Who. Mas bastou a banda virar notícia para a camaradagem entre os integrantes começar a naufragar e o vocalista Nikolai Noskov pular fora do barco.
Sobrou para o baixista Alexander “Big Sasha” Minkov assumir o microfone. Com o problema resolvido, o agora quarteto trouxe o norte-americano Fee Waybill (conhecido por seus trabalhos junto a Bryan Adams e Richard Marx) para produzir o então vindouro Gorky Park II. Este período marcou também o fim do vínculo do grupo com a Mercury Records e o início de um novo ciclo afiliado a BMG International. Lançado em 1993,Moscow Calling (não sei se o título é inspirado no clássico London Calling do The Clash) teve distribuição nos mercados norte-americano, europeu e russo e chegou perto de vender 1 milhão de cópias.
A alcunha Def Leppard russo não é à toa. A voz de Big Sasha é bem semelhante à de Joe Elliott. Musicalmente, Parque Gorki e Leopardo Surdo também são bem parecidos, com uma dupla de guitarras em pé de igualdade num ataque sonoro temperado com fraseados da música típica de seu país, como se tivessem plugado uma balalaica num Marshall valvulado. Os destaques vão para a trinca vem-pra-festa formada por “Politics of Love”, “Welcome to the Gorky Park” (momento cara-crachá-cara-crachá) e pela faixa título, tão empolgante quanto é um chamado à ação.
O lado baladeiro inclui “All Roads” (letra absurda sobre amor e karma), “Two Candles” (uma aula de violão e interpretação à meia-luz) e “Stranger”, a melhor do álbum e, provavelmente, o melhor registro da história da banda. Por outro lado, as no mínimo esquisitas “Tomorrow”, “Strike” e “Tell Me Why” comprovam: adicionar vodca à farofa pode dar má digestão.
Três anos depois, tanto o Gorky Park quanto o Def Leppard se aventurariam em mares mais modernosos e de qualidade questionável com “Stare” e “Slang” — lançados com seis dias de intervalo entre si. A diferença é que o Def Leppard sacou que aquela vibe alternativa não era a boa e tratou de retomar a pegada clássica em “Euphoria” (1999). Já o Gorky Park embarcou de vez na espiral descendente rumo ao ostracismo com o derradeiro “Protivofazza” (1998). De lá para cá, apresentações esporádicas e nada de música nova. Talvez seja até melhor assim.
Marcelo Vieira (Colaborador)





