One Desire – “One Desire” (2017)

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One Desire“One Desire” (2017)
Frontiers Music Srl

Nota: 9,5

Dizer que a Escandinávia é a nova Meca do hard rock é chover no molhado. Essa é a realidade há mais de uma década, quando bandas suecas, norueguesas e finlandesas começaram a se alternar no posto de liderança do gênero. Se há justiça neste mundo, o bastão pode ser entregue para o One Desire, cujo trabalho de estreia acabou de ser lançado e já disputa a medalha de ouro de melhor álbum de hard rock de 2017.

A história do grupo começou a ser desenhada em 2012 pelo baterista Ossi Sivula, mas a coisa só começou a ganhar contornos mais definitivos dois anos depois, quando o guitarrista e produtor Jimmy Westerlund entrou na jogada. As demos chamaram a atenção do chefão da Frontiers Records, Serafino Perugino, mas havia uma questão em aberto: o grupo precisava de um cantor com voz marcante. Westerlund sugeriu seu velho amigo, Andre Linman, do grupo Sturm And Drang, e a sintonia não tinha como ser mais fina. O trio funcionou dentro e fora de estúdio, compondo o material que originaria o homônimo álbum de estreia. O baixista Jonas Kuhlberg (Paul Di’Anno, Cain’s Offering) completa a formação.

O One Desire (musicalmente) bebe na fonte óbvia que é o Europe clássico (1986-1991), mas não se limita a reproduzir com a tecnologia de hoje o som que para muitos pode soar datado. Westerlund, cujo know-how rendeu inúmeros discos de ouro e platina nos últimos vinte anos — e olha que o cara tem só 39 de idade! —, faz jus ao legado e traz o elemento mais moderno, traduzido em um som de guitarra mais pesado. Em oposição, os teclados soam cristalinos. A bateria repleta de entretons faz par perfeito com o baixo pulsante, e o vocal voa livre e sem medo do registro mais sujo às subidas de tom mais audaciosas, do tipo que deixariam Joey Tempest, Steve Perry e David Paich orgulhosos.A contenda tem início com “Hurt”, avalanche melódica cujo clipe oficial nos deixou salivando de ansiedade em janeiro. “Apologize” vem na sequência, mais cadenciada nos versos até explodir em um refrão vitorioso. “Falling Apart” é o tipo de música que embalaria uma cena de alto teor sentimental em filmes antigos do Stallone. Já “Do You Believe” é o mais perto de Los Angeles que um quarteto radicado no extremo norte da Europa pode chegar. Na reta final, a própria reserva de mana metálico que é “Buried Alive” é esvaziada para conjurar o desfecho com “This Is Where The Heart Break Begins”, baladão açucarado com letra sofrida e show de interpretação de Linman.

Que o universo conspire para que este seja apenas o brilhante começo de uma trajetória sólida e duradoura.

Marcelo Vieira (Colaborador)

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