Grog – “Ablutionary Rituals” (2017)
Murder Records
Nota: 9,5
Se em “Scooping the Cranial Insides” (2011), seu álbum anterior, o Grog já demonstrava um grau de maturidade elevado para uma banda de Goregrind, em “Ablutionary Rituals”, seu mais recente trabalho, o quarteto português atinge um novo patamar em sua jornada de degradação musical.
A extremidade de seu som é tratada com muito esmero nesse novo trabalho. Arrisco em dizer que estamos diante de um épico do estilo. O primeiro aspecto a ser ressaltado é a grandiosa qualidade de gravação. Quem acompanha o estilo sabe que a maioria das bandas do gênero peca nesse quesito, o que definitivamente não é o caso aqui.
A produção é límpida, porém extremamente pesada. Quero dizer com isso que tudo se torna inteligível, com distinção entre instrumental e vocal, fugindo do esteriótipo da massaroca sonora indecifrável. Outra diferença observada em “Ablutionary Rituals” é a pegada Death Metal.
Se anteriormente o Goregrind prevalecia, aqui temos um som bem mais variado, com muitas alternâncias de andamento, viradas insanas de bateria e riffs e solos (discretos, mas muito bem encaixados), que trazem ao som do Grog um certo refinamento em meio a toda aquela putrefação sonora peculiar.
Tudo isso torna a audição de “Ablutionary Rituals” um deleite para os ouvidos já tão maltratados ao longo do tempo. São 14 faixas no total, uma melhor que a outra, dificultando a menção de destaques, porém, preste atenção em “Uterine Casket” e “Gore Genome”, duas pérolas do Death/Gore que já podem ser alçadas a condição de clássicos do gênero.
O Grog acaba de lançar seu álbum definitivo. Indispensável é pouco.
Ricardo L. Costa





