Jesse Damon – “Damon’s Rage” (2020)

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Jesse Damon “Damon’s Rage” (2020)
AOR Heaven
#HardRock#MelodicRock

Para fãs de: GotthardHouse of LordsTalisman

Nota: 8,5

Sexto álbum solo de Jesse Damon, “Damon’s Rage” não está apenas sendo vendido como a volta do ex-vocalista/guitarrista do Silent Rage às suas raízes no Melodic Hard Rock, mas também como provavelmente o seu melhor trabalho até agora. Ao lado de Damon nessa nova empreitada, ninguém menos que Paul Sabu. Além de assinar a produção, essa lenda viva do AOR toca baixo, teclados, bateria e faz backing vocals. Praticamente uma banda de um homem só.

A primeira prévia, “Love Gone Wild”, conta com um riff de guitarra que parece o meio do caminho entre “Making Love” (Yngwie Malmsteen) e “Stand in Line” (Impellitteri) e frases e solos cuja timbragem remete diretamente ao som das seis cordas do clássico “Don’t Touch Me There” (1989) — especialmente da música “Tonight You’re Mine” —, do Silent Rage. Já “Play to Win”, também liberada antes do lançamento do disco, se estabelece no refrão do tipo “vivendo e aprendendo” no qual Damon reconhece “eu jogo para vencer, mas às vezes eu perco”. Já dizia Frank Sinatra: “that’s life”.

A partir dessa dobradinha de abertura, o álbum capilariza em inúmeras direções — da cadência envolta em teclados de “Shadows of Love” ao uptempo piloto-de-fuga da faixa título; da festividade rasa e despretensiosa de “Tell Me Lili” a um ousado tributo ao lendário navio fantasma Holandês Voador (“Flying Dutchman”), que denota certo arcabouço cultural por parte de Damon —, mas sempre com o cuidado de preservar a identidade sonora com a qual os fãs já estão acostumados e que nunca, jamais, decepciona.

O álbum perde um pouco da força na reta final — OK, admito certa dificuldade com discos que ultrapassam os 40-45 minutos —, com “Adrenaline” prestando um tributo não intencional a “Action”, clássico do Sweet, e a superproduzida — para o padrão estabelecido pelo repertório até então — e aleatoriamente elaborada “Wildest Dreams”, que nem nos meus sonhos mais loucos eu seria capaz de decifrar ou digerir. Um adendo: poucas vozes envelheceram tão bem quanto a de Jesse Damon: mais um caso no Hard Rock de exceção que deveria ser a regra.

Marcelo Vieira

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