John Garcia – “The Coyote Who Spoke In Tongues” (2017)

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John Garcia“The Coyote Who Spoke In Tongues” (2017)
Napalm Records

Nota: 8,0

Assim como recentemente fizeram Chris CornellZakk Wylde e Jack White, John Garcia também apresenta um trabalho acompanhado apenas de seu violão, bebendo nas fontes usuais da música folk sessentista e setentista, para transformar sua veia roqueira numa desértica viagem folk.

Aos que não se lembram de John Garcia, ele foi o frontman do Kyuss, banda mais importante da cena de Palm Desert e cujos álbuns ajudaram a solidificar uma vertente suja e cheirando a óleo do Stoner Rock/Metal, com destaque aos clássicos “Blues For A Red Sun” (1992) e “Welcome to the Sky Valley” (1994), que são também relembrados em releituras deste ótimo “The Coyote Who Spoke In Tongues”.

O peso e a sujeira foram trocados por viajantes linhas acústicas desérticas e cheia de emoção, mas, obviamente, resultando num trabalho mais intimista e simples, com sinceridade advinda da nudez musical que o formato proporciona.

Nos momentos mais elaborados, John flerta com a melancolia de Nick Drake e com a psicodelia folk do Led Zeppelin, enquanto que nos momentos mais rústicos e estradeiros é impossível não lembrar de Bob Seger.

Dentre as músicas do Kyuss, destaques para “Gardenia”, que virou uma balada rústica com desfecho bluesy, e para “El Rodeo”, com seu clima de psicodelia “xamânica”.

No âmbito da “novas” composições, “Kylie” (com sua batida latina e andamento mais frenético), “Give Me 250 ml” (um blues empoeirado e cheirando óleo) e “The Hollingsworth Session” (com excelentes progressões acústicas) são pontos altos do trabalho que conseguem parear com as releituras dos clássicos.

No mais, é um trabalho bem feito, coeso e com clima muito bem criado, perfeito para aqueles momentos em que não queremos fritar os ouvidos com muito peso e nem descambar para algo genérico, como um acústico comum.

E se você curtir este trabalho pode ir atrás do recente álbum acústico de Jack White…

Marcelo Lopes Vieira

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