Jupiterian – “Terraforming” (2017)
Transcending Obscurity
Nota: 9,0
De formação iniciante despretensiosa a uma das maiores forças do gênero na atualidade. O Jupiterian percorreu esse trajeto em tempo recorde (apenas quatro anos), e hoje começa a colher os frutos dessa jornada. Prestes a embarcar em sua segunda tour européia, a banda leva na bagagem para eriçar as lombrigas gringas seu mais novo trabalho, o belíssimo e refinado “Terraforming”.
Numa primeira audição, já fica explícita a grande evolução sonora e até mesmo conceitual vivida pela banda, porém, quando menciono “evolução”, não quero dizer mudanças radicais ou que levariam a uma descaracterização total de sua personalidade musical, mas sim um crescimento natural e a capacidade de explorar todas as possibilidades que o estilo pode oferecer.
O Doom/Sludge primitivo e amargurado de outrora dá uma sutil acelerada no passo, dando lugar a uma música mais dinâmica, ainda que brutalmente pesada. Os arranjos e texturas estão bem mais variados, criando uma notável faceta atmosférica/progressiva. Tudo isso muito bem conduzido por uma produção tanto sonora, quanto gráfica, primorosas, dignas de formações de primeiro escalão.
A aura misteriosa e obscura se torna ainda mais concreta pela composição visual do quarteto. Como sacerdotes de uma missa negra, discípulos de alguma seita maligna ou entusiastas de alguma milícia fundamentalista, os caras se vestem todos de preto, tendo seus rostos ocultos por capuzes, ostentando uma simbologia própria em seus trajes. Se for pra causar impacto, estão no caminho certo.
O álbum, como de costume, é relativamente longo, composto por seis faixas fortes, poderosas, compondo um alicerce de pura densidade sonora impactante. Empolgante e envolvente, o trabalho possui momentos que, se não posso dizer que são apoteóticos, chegam bem perto disso, tais como “Forefathers”, revolucionando com suas incursões percussivas, sintetizadores e variações incessantes; a climática e experimental faixa título (contando com a participação de Maurice De Jong do Gnaw Their Tongues), e o retorno ao Sludge de raiz na tenebrosa “Sol”.
“Terraforming” reflete o ápice de uma banda que ainda tem muito a oferecer. O disco em questão, segundo os próprios integrantes, não tem previsão de lançamento nacional, portanto, economize os trocados da cachaça e compre o importado mesmo. Se você é um real fã do estilo, é uma obrigação cívica tê-lo na coleção.
Ricardo L. Costa





