
Los Males Del Mundo – “Descent Towards Death” (2021)
Northern Silence Productions
#BlackMetal #AtmosphericBlackMetal
Para fãs de: Gaerea, Uada, Mgła, Harakiri For The Sky, Sunken
Nota: 10
“Descent Towards Death” é um trabalho preenchido por uma musicalidade efusiva e lacerante, cuja sustentação maior transita entre os brumais noventistas e as encostas do contemporâneo — numa comunhão entre os primórdios do Black Metal e a continuação/expansão do mesmo, creditada a nomes como; Uada, Mgła, Gaerea e outros similares. Há também um alongar-se nos temas, que trazem em si muito da personalidade das bandas categorizadas como Atmospheric e Post-Black Metal, assim, percebe-se vultos do austríaco, Harakiri For The Sky e do dinamarquês, Sunken. Claro que os nomes citados servem apenas para ilustrar, aproximadamente, como a sonoridade do duo argentino Los Males Del Mundo se desenvolve, e sim, ela exibe muita personalidade e sublinhados próprios.
Formado em 2016 pelo guitarrista Cristian Yans (ex-Eroica) e pelo vocalista Dany Tee (Acathexis, Seelenmord), o Los Males Del Mundo finalmente debutou, oficialmente no fim de fevereiro sob a chancela da Northern Silence Productions. O caráter de estreia resume-se apenas ao fato de ser o primeiro lançamento por uma gravadora, pois tudo em “Descent Towards Death” é profissional, firme e substancioso. Desde sua produção — em todos os seus processos, que aqui foi devidamente marcada pela caligrafia de Nikita Kamprad (Der Weg Einer Freiheit), também responsável pelo baixo — até sua estrutura e temas — visto que é neles que o duo exibe todo seu arsenal criativo.
Ao catálogo das faixas é fácil perceber como os músicos interagem entre si em prol de um mesmo resultado, visto que os 05 temas apresentados possuem o mesmo nível de qualidade, quase os mesmos traços e uma progressão similar, mas não repetitiva. Momentos dedicados à distopia e a cadência se intercalam; floreios melódicos surgem nos locais onde se fazem necessários, assim como os solos de guitarra que foram sabiamente dispostos. Os vocais de Dany Tee rompem em diversas direções com a mesma angustia e força, nos guturais, nos gritos e nas narrações (aliás, a versatilidade vocal apresentada no disco lembra por vezes o Dani Filth em sua melhor fase, leia-se “Dusk And Her Embrace” e “Cruelty And The Beast”).
“Descent Towards Death” é também peculiar por sua fuga da temática óbvia, surrada e infantilizada do satanismo, esquivando-se também da eterna dicotomia “bem contra mal”. Suas letras trazem reflexões profundas e complexas, entendimentos amplos, embora amargos e desesperançosos — devidamente embebidas nos ensinamentos da trindade: Emil Cioran, Schopenhauer e Nietzsche. Faixas como: “Falling Into Nothing” (com direito a trechos da clássica pelicula “O Sétimo Selo” de Ingmar Bergman), “The Silent Agony” e “Eternal Circle Of Vain Efforts” são puros néctares aos fãs de um Black Metal bem articulado, bem redigido e devastador. “The Heavy Burden”, faixa que funciona como epitáfio, adiciona mais agonia e consternação ao disco, na letra, um trecho singular diz: “E como um consolo eficaz em todos os infortúnios, dirigimos nosso olhar para a desventura do próximo, um remédio hipócrita disponível para todos […]”
Altamente indicado aos fãs das bandas citadas, aos que apreciam um apanhado sonoro repleto de qualidades e com conteúdo tangível. “Descent Towards Death” é a personificação em música de uma leitura imortal chamada: “Nos Cumes Do Desespero”.
Fábio Miloch





