Mayhem – “Daemonic Rites” (2023)

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Mayhem – “Daemonic Rites” (2023)

Century Media Records
#BlackMetal

Para fãs de: Darkthrone, Immortal, Marduk

Texto por Lucas David

Nota: 10 

Quando se fala em Black Metal, a primeira banda que vem à mente é o poderoso Mayhem. Mesmo que seja na segunda onda, a banda ficou conhecida não só pela música, mas como a força por trás do surgimento de um dos estilos mais agressivos e extremos, sendo por si só um dos grandes motivos de eles serem respeitados no mundo todo. Agora, com diversos clássicos na bagagem, o Mayhem lançou seu novo disco ao vivo, “Daemonic Rites”, onde tentaram encapsular a essência de ótimos momentos dos trinta e nove anos de existência do grupo. Esse incrível e destruidor álbum contém 17 músicas que funcionam como um tributo glorioso à história do Mayhem, bem como um presente para os fãs.

“Daemonic Rites” funciona como um “Best of”, apresentando uma combinação de músicos lendários do Black Metal, composições que revolucionaram a música no geral, letras que inspiram multidões e um grande produtor que conseguiu capturar todo o espírito sombrio da banda. Tore “Necromorbus” Stjerna, ex-Funeral Mist, que cuidou da produção do álbum atua como engenheiro de estúdio e ao vivo do Mayhem, bem como seu empresário. Ele preservou a crueza, a atmosfera e o enorme som do material, assim como o lendário Eirik “Pytten” Hundvin fez em “De Mysteriis…”.

A formação atual tem o cofundador e baixista Necrobutcher, o baterista Hellhammer, que fez parte da era de ouro da banda; o lendário vocalista Attila Csihar; bem como Ghul do Shining e Teloch do Nidingr – ambos guitarristas fenomenais que estão no Mayhem há mais de uma década. Falar sobre Hellhammer é fácil, ele se tornou um dos melhores bateristas dentro do Black Metal e sua performance no disco é excelente. Ghul, Teloch e Necrobutcher não ficam para trás, mantendo uma parede sonora firme e esmagadora, enquanto Csihar faz um trabalho marcante, realizando a tarefa de incorporar os espíritos e diferenças de cada era do Mayhem. Lembrando que o Mayhem não só definiu o gênero, como também foi responsável por expandi-lo por meio de inovações constantes.

O disco abre com uma faixa instrumental que prepara o terreno com um clima sombrio e sobrenatural antes de se transformar em uma bomba em “Falsified and Hated”. “To Daimonion” traz para a plateia o primeiro sabor do disco “Grand Declaration of War” (2000), que se destaca pela abertura vocal eletronicamente alterada, sendo uma ótima escolha para ser colocada no início e relembrar também a passagem do grande Blasphemer pela banda, e sua genialidade. “My Death” é outro destaque com uma agressividade e rispidez única. Uma leve pausa até que todo o som seja dominado pelas falas do ex-vocalista, Dead, invocando a poderosíssima “Freezing Moon”, para mim sendo a melhor parte do disco. Nessa faixa a banda demonstra porque “De Mysteriis…” é amplamente considerado o melhor álbum de Black Metal que, no passado, já havia nos prendido em sua primeira audição, e aqui tem o mesmo efeito dominador sobre as pessoas.

Após mais três músicas de “De Mysteriis…”, sendo os clássicos “Pagan Fears”, “Life Eternal” e Buried by The Time and Dust”, somos apresentados a composição de Conrad Schnitzler “Silvester Anfang”, conhecida como a abertura de Deathcrush (1987), que faz a transição para a faixa de mesmo nome do álbum de 1987, alegrando muito os presentes.

Com tudo isso, o Mayhem conseguiu um ruído sombrio e furiosamente intenso, vindo de apresentações que sempre são marcantes. Esse disco captura com excelência: a sensação, o cheiro, o sabor, o caos e a carnificina, tanto do ponto de vista sonoro quanto visual. O que ajuda ainda mais é a participação de uma plateia ensandecida, nos transportando para o show em si, como se estivéssemos ao lado dos mesmos que assistiram à apresentação.

Na verdade, “Daemonic Rites” fornece tudo pelo qual o Mayhem é conhecido, dando a eles uma vitória épica, imperdível e obrigatória para os fãs da banda e do gênero, da qual Dead e Euronymous ficariam orgulhosos. 

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