Nocturnus AD – “Paradox” (2019)

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Nocturnus AD – “Paradox” (2019)
Profound Lore Records
#DeathMetal#AtmosphericDeathMetal#ProgressiveDeathMetal

Para fãs De: AtheistTomb MoldCynicTimeghoul

Nota: 10

Em 1990, o Nocturnus (um dos pioneiros tanto no uso de teclados, como também por incorporar a temática sci-fi dentro do Death Metal), lançava sua obra mestra, o mítico e visionário “The Key”, álbum seminal e influente, referência tanto em sua época, como nas seguintes. Sua sonoridade desbravava novos rumos, criava novos conceitos e possibilidades — técnico e místico, improvável e majestoso, só por tais adjetivos já entraria fácil para a história do Death Metal (como realmente entrou), mas paro por aqui em meus bordados elogiosos, típica “rasgação de seda” de fã empolgado (risos). Há discos que vão além de descrições, além de qualidades enumeradas, cada ouvinte tem sua própria experiência e sua própria maneira de interpretar um álbum, cabendo a mim apenas a súplica da sugestão, ouçam “The Key”.

Décadas se movem dentro da indiferença do tempo, e cá tenho em mãos “Paradox”, primeiro álbum da revivida entidade, renomeada agora como, Nocturnus AD, e tal qual foi em 1990, temos as mesmas visões caóticas/apocalípticas — o enredo pede por novos personagens, mas continua a obedecer os parágrafos emblemáticos que fizeram de “The Key”, um clássico. Praticamente tudo em “Paradox” emana os anos 90, exceto sua produção, que soa moderna, algo compreensível, afinal os tempos e as tecnologias mudam de maneira contínua.

Mike Browning e seus apóstolos: Demian Hetfel e Belial Koblak (guitarras), Daniel Tucker (baixo) e Josh Holdren (teclados) nos oferecem um farto banquete (eleve o termo “farto” a níveis estratosféricos), de riffs técnicos e irrepreensíveis, solos que de tão insanos que são, nos fazem ver a loucura com olhos bíblicos, Gênesis e Ômega são encontrados numa mesma canção e se reencontram por todo álbum, os teclados, bem, os teclados são um espetáculo em particular — climáticos, psicodélicos, dionisíacos (literalmente uma orgia de sons e texturas), seria Josh Holdren um habitante deste miserável globo? Um artesão cósmico das teclas? Ouçam o primoroso trabalho dele junto a dupla de guitarristas no orgástico instrumental “Number 9” e tentem me responder, por favor.

Voltando ao álbum, desde suas construções melódicas/progressivas — as linhas harmônicas perfeitamente casadas com os vocais , as mudanças bruscas de ritmo — cadência e velocidade se alternando freneticamente em todo o seu decorrer, em tudo há primor e inteligência, obviedade, já que todos os músicos são mestrado/doutorados em Metal Extremo. “Seizing The Throne”, faixa de abertura, assim como sua sucessora, “The Bandar Sign”, não necessitam de adornos verbais ou de adjetivas descrições, adianto apenas que tratam-se de duas obras primas do Death Metal contemporâneo, tão esplêndidas e minuciosas, que fariam Niemeyer repensar suas mais famosas obras.

“Paleolithic”, “Precession Of The Equinoxes” e “The Antechamber”, são faixas diretas e impactantes, ainda que complexas, focadas na agressividade tanto dos riffs, quanto dos vocais e bateria, onde Mike Browning mostra toda sua destreza: veloz, preciso e absurdamente técnico.

“Return Of The Lost Key” (auto-referente, talvez), junto a “Apotheosis” e “Aeon Of The Ancient Ones” seguem estruturas próximas, permeadas por passagens intrincadas, teclados em devaneio e solos visceralmente insanos, creio que se Salvador Dalí fosse guitarrista, seus solos seriam iguais aos que preenchem “Paradox”, genialmente loucos/criativamente bizarros, algo que foge a compreensão se visto/ouvido uma única vez.

O instrumental já citado, “Number 9” encerra o álbum de forma singularmente magistral, sendo a síntese mais perfeita e completa do mesmo, profusão de teclados, riffs arquitetônicos, peso e caos cósmico, nada mais a declarar.

“Paradox” não tem a pretensão de ser um “The Key” 2.0, muito menos tenta reescrever a história ou atualizá-la, pelo contrário, o clássico continua lá, em seu tempo e em seu santuário, aqui temos um novo clássico e a história ganhando sua devida continuação!

Fábio Miloch

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