
Poison – “Flesh And Blood” (1990)
Enigma Records
#HardRock, #HairMetal, #MelodicRock
Para fãs de: Warrant, Bon Jovi, Cinderella
Nota: 9,0
Os “meninos” do Poison, composto pelo visual do vocalista Bret Michaels de modelo “PlayGirl”, o apelo inegável de C.C. DeVille na guitarra, a mística de Bobby Dall no baixo e a extravagância de Rikki Rockett na bateria, eram os profetas venerados da “Sunset Strip” que com seu evangelho de sexo, drogas e rock and roll fascinavam o público desde 1986.
Mas estávamos no verão de 1990 e eles queriam mostrar através da sua música que haviam evoluído. “Lembro-me da maior parte do álbum ser escrita no ônibus durante a turnê anterior” – disse Riki Valentine (ex-membro da equipe) – “Décadas depois, as músicas ainda se sustentam”.
Produzido por Bruce Fairbairn (AC/DC, Bon Jovi, KISS) e Mike Fraser (Aerosmith, Van Halen, Metallica) “Flesh & Blood”, lançado em 21 de Junho de 1990, com mais de cinco milhões de cópias vendidas no mundo e eleito o melhor álbum do ano pelos leitores da “Circus” e da “Metal Edge”, estreiou como #2 na “Billboard” e #1 na “Cash Box”, alcançando platina (3X) e colocando quatro singles no “TOP40”.
Trazendo uma banda fora da sua zona de conforto, o álbum mostra um novo conceito musical com canções cercadas de melodias bem construídas e letras mais profundas, como disse Rikki Rockett: “Vivemos na estrada e, quando você faz isso, a cada dia é uma nova cidade com suas particularidades: como as pessoas vivem, as atitudes, as diferenças, o que é importante para elas, etc. “Flesh And Blood” é um álbum que tira proveito de todas essas experiências”.
Canções mais sombrias como a ótima “Valley of Lost Souls”, a libido de “(Flesh & Blood) Sacrifice” ou a excepcional “Life Loves a Tragedy” demonstram composições mais consistentes lembrando em alguns momentos o “Blues Rock” da Louisiana.
Embora tenha evoluido, a banda não rompeu totalmente com a imagem que sempre perpetuou. Prova disso é o single “Unskinny Bop” (#3) que parece saído diretamente do album anterior, além da cativante homenagem às emoções da estrada: “Ride The Wind” (#38).
O hino esperançoso de “Something To Believe In” (#4) sobre a morte do guarda-costas de Bret e outros contos, a emocional e atemporal “Life Goes On” (#35), a melódica “Let It Play”, a sinuosa “Ball And Chain”, o “tapa na cara” de “Come Hell or High Water” e a “poisonesque” “Don’t Give Up An Inch” mostram que a mistura de “riffs” de “Hard Rock”, “licks” de uma gaita “bluseira”, a mão forte da produção e a maturidade de um artista fazem deste o melhor álbum da banda.
Alguns dizem que a banda se levou a sério demais e no processo perdeu sua identidade, mas não foi isso que aconteceu. Qualquer processo de amadurecimento não é confortável e mesmo assim a banda manteve a quintessência das festas do estilo aliadas agora a uma nova abordagem que, além de não decepcionar, resistiu ao teste do tempo.
Uma importante obra de um dos tesouros do Hard Rock americano! Essencial!
João Paulo Gomes





