
Rei Lagarto – “Rarities” (2019)
Independente
#ClassicRock, #HardRock
Para fãs de: Eric Clapton, Led Zeppelin, Whitesnake
Nota: 9,0
Ao me enviar o link para baixar este “Rarities”, o vocalista Fabiano Negri escreveu: “Você vai ser o único a resenhar esses trampos. Espero que goste.” Com o download em andamento, pensei: “Como não gostar de algo produzido pela talvez/provavelmente melhor banda de classic rock autoral do Brasil?”. Só se tivessem migrado para o lado sertanejo da força ou coisa do tipo, mas diante dessa impossibilidade, é bola na rede e correr pro abraço.
No CD 1, covers cuja abrangência reforça a tese de que nada substitui boas referências. Mas ao gravarem medalhões que vão de Cream a Whitesnake, Negri e os outros não se atêm a reproduzir nota a nota, arranjo a arranjo, as versões originais, e imprimem sua assinatura em detalhes que fazem toda a diferença, como se verifica em “Sweet Child O’ Mine”, onde há o acréscimo de uma terceira guitarra — no caso, um violão — e todos os solos são submetidos a uma timbragem mais limpa, e numa “All Along the Watchtower” cuja urgência e solidez da base remete à “Long Train Runnin’”, dos Doobie Brothers, e cujo corte para 3:14 de duração antecipa a antítese numa versão estendida de “Purple Haze”, segundo dos três clássicos de Jimi Hendrix que constam no repertório.
Já o CD 2 é um apanhado de versões ao vivo do material próprio, registradas em shows em casas como Delta Blues, Hammer Rock Bar, Cultura Theater e Sebastian Bar — que nome! — no decorrer dos anos. É para esfregar na cara de quem ousa duvidar da capacidade do grupo de reproduzir no palco aquilo que apresenta em estúdio; à fidelidade vocal e instrumental soma-se a energia visceral de quem está super à vontade em seu habitat natural. Ouça “Low” e “Sun Machine” — essa convertida num festival de talentos aos moldes das improvisações dos anos 1970, com 13 minutos de duração — e vire fã instantaneamente.
Marcelo Vieira





