Rotting Christ – “Theogonia” (2007/2019) (Relançamento)

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Rotting Christ“Theogonia” (2007/2019) (Relançamento)
Cold Art Industry Records
#BlackMetal

Para fãs de: BehemothMarduk

Nota: 9,0

Uma das bandas mais interessantes e originais do Black Metal lançou em 2007 um de seus mais importantes e relevantes trabalhos. “Theogonia” teve seu relançamento via Cold Art Industry numa bela embalagem, inclusive com a capa original que havia sido lançada somente em formato vinil na época, o que vem a abrilhantar ainda mais esse CD visualmente falando. Musicalmente falando, é um álbum que tem uma aura forte, densa e sombria.

Não á toa, o Rotting Christ, desde essa época, mostrava que era uma banda de Black Metal não no sentido gratuito da palavra, mas muito mais interessada em sua música do que em polêmicas. Muito disso se dá em razão de seu mentor e líder Sakis ser um estudioso e, também, buscar sempre o aprimoramento de sua música.

Acredito que definir o grupo simplesmente como Black Metal é muito raso. A musicalidade da banda vai muito além disso, mas obviamente, que o estilo que veio a consagrar o grupo é aquele que teve início com Venom e cia. Muitas passagens contém fortes inclinações do Heavy Metal tradicional, mas sem exageros. Além disso, nesse álbum, o grupo mantém algumas partes de suas letras cantadas em grego, deixando tudo ainda mais peculiar e intenso. Fugindo de estereótipos, como na faixa de abertura, “Xαος Γευετο (The Sign of Prime Creation”), com sua introdução narrada, temos ótimas guitarras que trazem consigo muito mais e além do que o Black Metal tradicional possui, mostrando toda a técnica do grupo.

Na seqüência, temos sim o lado mais obscuro do grupo com “Keravnos Kivernitos”, principalmente nos riffs de guitarra. “Nemecic” apresenta uma mistura bem interessante entre o Gothic Metal, o Black Metal mais melódico e porque não dizer, o metal tradicional.

Muito bem produzido, “Theogonia” mostra um excelente trabalho de bateria, pois é bem técnico, pesado e dono de uma pegada bastante peculiar, como é comprovado em “Enuma Elish”. Outros ótimos momentos são “Rage Diabolicus”, uma faixa mais típica e com toques bem pessoais do grupo que conseguiu ao longo de sua carreira moldar sua personalidade de forma muito consistente, assim como o encerramento com “Threnody”, onde as influências de música oriental (de forma bem singela) se fazem presentes e contando ainda com um coral de vozes bastante sinistro em certos momentos.

O Rotting Christ é uma banda de Black Metal que se difere de seus contemporâneos de forma bastante sutil, pois é muito mais preocupada com a consistência de sua sonoridade e lirismo do que com polêmicas, corpse paints ou assuntos além da música. Por conta de tudo isso, a Cold Art Industry, selo brasileiro, teve a brilhante e destemida ideia de relançar esse material em nossas terras em dois formatos: um slipcase com a capa original do vinil, citado no começo do texto, e outra em formato boz de madeira com adesivo e palheta cedida pelo próprio Sakis, mas em quantidades super limitadas.

Álbum totalmente formador de caráter, seja você fã ou não de Black Metal!

Sergiomar Menezes

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