Scour – “Red” (EP) (2017)

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Scour
 – “Red” (EP) (2017)

Housecore Records
#BlackMetal

Para fãs de Impaled NazareneMardukMayhem

Nota: 9,0

Phil Anselmo é um sujeito polêmico. Seus discursos inflamados e declarações estapafúrdias sempre criam em torno de si um autêntico “circo midiático” (vide o recente episódio da apologia ao nazismo), mas, uma coisa não se pode negar: o homem tem talento ímpar como artista, ainda que como ser humano precise de alguma evolução (aliás, todos nós precisamos).

Adquirindo notoriedade com o Pantera e depois com o Down, Anselmo se mostrou um genuíno “whorkaholic”, desenvolvendo projetos e parcerias das mais diversas no espectro extremo da música, sendo que o Scour reflete uma de suas facetas mais obscuras no segmento.

Infiltrando-se em um Black Metal mais acintoso e profano, o grupo em questão surgiu em 2015, tendo em sua discografia dois eps que se complementam: “Gray” (2016) e “Red” (2017), este último constituindo nosso objeto de avaliação de hoje. Philip e banda se aprimoraram na gênese do estilo e em toda sua aura negra e perversa para conceber algo que seria uma singela homenagem a este subgênero ao qual nosso anfitrião sempre nutriu grande apreço.

“Red” esboça toda fúria, rancor e intolerância que pode conter um bom álbum do estilo, bem diferente deste lado sinfônico/pomposo/falacioso que anda tão em voga ultimamente. A crueza e a virulência com que o material é apresentado chega a assustar, com Phil violentando sua própria garganta e o ouvido alheio sem nenhuma parcimônia. São seis composições ao todo, todas muito breves e objetivas, que retratam a real intensão dos integrantes em se aterem ao básico, ao minimamente aceitável dentro da proposta, a fim de produzir algo realmente pesado, sujo e corrosivo.

Para obter êxito nesta jornada, Anselmo se cercou de amigos mais que versados no assunto, compondo um time de respeito, incluindo o anormal das guitarras Derek Engemann (ex-Cattle Decapitation) e Adam Jarvis (bateria/ Misery IndexPig Destroyer, ex-Hate Eternal). Aí, parceiro, a tijolada impura atinge o frontal com vigor.

A atmosfera negra e intensa toma conta do ambiente quando a introdutória “Red” tem início, com a selvageria atingindo os píncaros com “Piles”, que remete aos momentos mais insanos do Impaled Nazarene e congêneres. A pancadaria preserva o ritmo frenético todo o tempo, sem clemência ou concessões, com “Shank” sedimentando o ato final de forma incisiva e impactante. Nenhuma das seis pedradas incandescentes chega aos três minutos de duração, ou seja, é tudo mais rápido que ejaculação precoce em hamster.

Definitivamente, onde o careca com cara de invocado põe a mão, a margem de erro é praticamente nula, e o Scour é mais uma super banda a ser creditada em seu vasto e prolífico currículo. Sorte nossa.

Ricardo L. Costa

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