
Segregatorum – “Lemarchand’s Dominus” (2019)
Independente
#DeathMetal, #DoomMetal, #GrooveMetal
Para fãs de: Paradise Lost, Moonspell, My Dying Bride
Nota: 8,0
Escrever sobre música é sempre ser surpreendido, é nunca saber o que a arte de um disco oculta até que o mesmo nos assalte os tímpanos, e é aí que reside a surpresa, podendo ser satisfatória ou decepcionante, o que definitivamente não é o caso desse testemunho, cujo título é “Lemarchand’s Dominus”. Explico, imagine um trabalho cuja a dicção musical transita entre Death e o Doom Metal, mantendo a dinâmica do primeiro e preservando a didática do segundo, mas não apenas, pois soma-se a esse híbrido fartas fatias de Groove Metal e uma perícia técnica refinada que é facilmente percebida ao longo das dez faixas que preenchem o trabalho. Aliás, destaco a identidade devidamente formada que a banda exibe, assim como sua desenvoltura e profissionalismo, pois lançar um compilado tão sólido e caprichado como esse é coisa de quem realmente entende do riscado. É nessas horas que meu orgulho brilha, sim, o Underground é meu país!
Mixado e masterizado por Ernani Savares (Abate Macabro, Rotten Penetration e outros) e tendo sua arte assinada por Lucas A. Lazzarotto, “Lemarchand’s Dominus” tem seu contexto baseado nos escritos de Clive Barker, o autor de uma preciosidade do terror, a saga chamada Hellraiser, algo que fica explícito na capa que faz uma alusão óbvia ao mesmo e ao famoso cubo de Lemarchand. A quem não sabe, o cubo ao ser decifrado leva o seu portador a uma outra dimensão, a moradia dos Cenobitas, lá ele experimentará prazer e dor sem que haja nem limites e nem distinções entre um e outro, compreendendo assim o êxtase através do suplício eterno. “Talvez a perfeição fosse só mais um tipo de tristeza.”, diz o livro numa de suas páginas.
Voltando à música ouvimos bases que remontam aos anos noventa, com parágrafos que vão de Paradise Lost até My Dying Bride, passando pelo primórdios do Moonspell, aliás a voz de Lucas Lazzarotto tem muito da personalidade de Nick Holmes e Fernando Ribeiro e não, isso não é uma crítica pelo contrário visto que mesmo tendo influências ele consegue impor seus próprio trejeitos. O instrumental em si se equilibra entre os gêneros já citados; Death Metal e Doom, mas sem permitir que um sobreposições – nunca furioso em demasia e também não demasiadamente moroso, nesse aspecto os destaques são: “We Have The Eternity To Know Your Flesh”, “Hex Ov N’guize” e “Nemecic Inferi”, essa última com um baixo troncudo e bem destacado. Cabe mencionar como a banda soube casar seu pensamento musical ao contexto lírico, realmente, nada mais Doom que “Hellraiser” – dor, sofrimento, angústia e a eterna miséria humana num único universo fictício, que na verdade pouco difere da mundo real e dos seres que interpretamos todos os dias.
Voltando à musica Parte # 2 – “More Than Eyes Can See”, “Nourished Wounds (Elysium Part 1)”, “Initium Dolorum” e “Threnody” também são dignas de menção seja por suas evoluções individuais e também pelas boas ideias que apresentam; as frases de guitarra e as paisagens melódicas são seus maiores chamarizes. Em suma um excelente trabalho, com poucas falhas e poucos relevos de qualidade, não à toa que o Brasil é citado como um dos maiores quando o assunto é Doom Metal, o passado já dizia isso e a atualidade com o Segregatorum e outros tantos nomes só reafirma o que eu já sei há tempos. (Presunção? Não, apenas a realidade).
O Doom Metal nacional é referência e me faça um favor saia da bolha dos mesmos nomes de sempre, dos mesmos gêneros de sempre, costumo perdoar as ofensas, mas ignorância de sua própria cultura musical, não!
Fábio Miloch





