Tourniquet – “Gazing At Medusa” (2018)

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Tourniquet “Gazing At Medusa” (2018)
Pathogenic Records
#ThrashMetal#ProgMetal#HeavyMetal

Para fãs de: MegadethBelieverJudas Priest (fase Tim Ripper Owens)

Nota: 9,0

A única coisa que se espera de um álbum do Tourniquet é justamente não ter a mínima noção de como a banda soará. Sim, é bem paradoxal, mas é a pura verdade pois que se acuse o grupo de várias coisas, menos de serem acomodados e inertes com a sua história.

A qualidade do instrumental sempre foi uma constante, então era quase certo que viria coisa boa de Ted Kirkpatrick e Aaron Guerra. Temos uma bateria com a assinatura de qualidade costumeira e desta vez com uma maior enfase no ataque dos bumbos, Ted debulha como ninguém e parece não sentir o passar dos anos. Acho que desde “Pathogenic Ocular Dissonance” não ouvimos algo tão brutal nesse quesito. Aaron mesmo não tendo o reconhecimento devido como músico é um guitarrista de mão cheia e aqui toca riffs e passagens bem complicadas como se tocasse uma música qualquer de 3 acordes, que esculacho! Sua contribuição vocal também é maior e garanto que você que acompanha a banda a um certo tempo vai pensar, assim como eu, que ele deveria ter berrado mais nos discos antigos.

Sim, o vocal. Essa era a grande curiosidade e preocupação com o disco, já que desde 2015 a banda não contava mais com Luke Easter na frente do microfone. Bem, que estava com medo de ser um ponto fraco no material, pode ficar sossegado que a tarefa foi brilhantemente completada por 2 monstros: Tim Ripper Owens “Official Page” e Deen Castronovo, esse último, fazendo uma participação especial cantando a faixa título do disco.

Precisamos mesmo falar sobre essas lendas? Sim, precisamos. O currículo deles fala por si só pois temos aqui gente que canta/cantou por Judas Priest, Iced EarthJourneyThe Dead DaisiesRevolution Saints dentre outros, mas foi um trabalho soberbo de ambos. A interpretação e imposição de presença de Tim Ripper Owens é espetacular e deu ao Tourniquet um dos melhores registros vocais de sua história. Deen também não faz por menos e mesmo que só cantando em uma faixa, ajudou a criar o que arriscaria chamar de novo clássico da banda. Uma música bem grude, fácil de cantar junto e potencial para ser explorada em futuras apresentações ao vivo.

“Gazing At Medusa” não é o tipo de álbum que captura o ouvinte numa primeira audição, mas a cada ciclo de 45 minutos (o tempo de duração do disco) você se pega prestando mais atenção em detalhes que da vez anterior passaram batidos. Claro que há faixas que nos primeiros segundos seu cérebro já comunica que “caramba, essa é boa hein?” e além da faixa título isso também ocorre com “Sinister Scherzo” e “Longing For Gondwanaland” (que refrão meus amigos, que refrão), mas também temos “Memento Mori” e sua espinha dorsal doom e a falsa balada “The Peaceful Beauty Of Brutal Justice que saem do status de “faixa qualquer” para algo como “realmente muito interessante”. As músicas que não foram citadas vão nesse caminho e fazem que o álbum tenha características do passado remoto e recente da banda, já que este é o Tourniquet de sempre (passagens estranhas; tempos quebrados; riffs de música clássica e um belo trabalho na guitarra solo, onde Aaron dividiu a função com o lendário Chris Poland, ex-Megadeth, que fez o serviço de forma soberba) revisitado e atualizado para 2018, nem mais nem menos do que isso.

Quem é viúva das formações antigas talvez não se interesse muito, mas não chega a ser novidade porque esses caras não gostam de nada da banda pós 1992 mesmo. Mas se você gosta de música pelo que ela realmente é de fato, pelos arrepios que ela causa no corpo e na alma, “Gazing At Medusa” satisfará todos os seus anseios.

Creio que nem precisava reservar um lugar no top 10 do ano para esse material, já que o Tourniquet nunca decepcionou e não foi dessa vez que falharam. Discão com todos os predicados possíveis!

Fãs da banda fiquem no aguardo que,muito em breve, teremos uma longa, esclarecedora e histórica entrevista com o baterista Ted Kirkpatrick aqui no Metal Na Lata.

Márllon Matos

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