
Gruesome Stuff Relish | Offal – “Unburied Repugnance” (Split) (2020)
Black Hole Productions
#DeathMetal, #GoreMetal, #Goregrind
Para fãs de: Autopsy, Impetigo, Repulsion, Bowel Fetus
Nota: 10
Dois universos distintos, mas que convergem para o bem comum: Death Metal e cinema de horror. A união destes dois mundos já não é novidade (creio que o Impetigo deu início a esta saga lá pelos anos 80), e muitas bandas já se enveredaram por este caminho, contando histórias escabrosas, tendo como pano de fundo aquela música mórbida, angustiante e sepulcral.
O clima tétrico paira no ar, as notas pútridas corroem os ouvidos e somos pegos imaginando zumbis e outras criaturas do além-túmulo se materializando diante de nós. Ambientação propícia para a criação de um grande trabalho de Death Metal visceral, e sabendo disso, duas das melhores formações do estilo na atualidade uniram esforços para prestar uma singela homenagem àquela sonoridade dos primórdios, além de discorrerem sobre aquilo que mais amam: o universo do horror cinematográfico dos anos 70/80.
Pagando tributo à obra de Lucio Fulci, Ruggero Deodato, Brad F. Grinter, entre outros, “Unburied Repugnance” trata-se de um split protagonizado pelos espanhóis do Gruesome Stuff Relish em parceria com os brasileiros do Offal, onde os mesmos demonstram grande conhecimento de causa neste segmento. Ambas contam com produção acima da média na execução de composições inéditas que emanam podridão e peso exacerbado, além de todo aquele salutar saudosismo.
O Gruesome Stuff Relish dá início aos trabalhos com “Last Cannibal Tribe” (uma clara referência a “Cannibal holocaust“, clássico controverso e chocante de Deodato) já cuspindo as entranhas logo de imediato com seu Death Metal grosseiro e aviltante. Todo o contexto gore é representado por um primoroso trabalho gráfico, onde cada ilustração se conecta com a letra correspondente, como se fosse uma mórbida história em quadrinhos. Impactante, tanto visualmente como sonoramente falando.
Mais Death Metal exsudativo e nauseabundo sai dos falantes sem muita cerimônia, apenas separados por algumas breves vinhetas que remetem aos clássicos homenageados. Destaques também para a acachapante “Curse of the Morbid Crypt”. Se isso não for Death Metal na sua mais pura essência mortal, eu não sei mais o que é.
O Offal segue se mantendo em patamar de igualdade com seu colega estrangeiro, porém soando um pouco mais dinâmico em suas composições, mais sangue nos olhos, por assim dizer. A brutalidade atinge níveis periclitantes, onde o peso e o vocal estarrecedor de André causam calafrios até em coveiro de cemitério clandestino. Seguindo a verve primordial de Autopsy e Impetigo, os paranaenses discernem com familiaridade sobre os fatos recorrentes no gênero. “Guts for the Blood Freak” começa tétrica em sua introdução, mas que brevemente explode no mais visceral e inflamado Death/Gore Metal.
“Crypt of Fulci” a seguir remete ao mestre supremo do horror italiano, soando totalmente climática e atmosférica, como uma real e estarrecedora trilha daqueles filmes de zumbi dos mais putrefatos e decadentes. Slasher Dave (vocal do Acid Witch), um especialista no assunto, cria e rege todo este cenário. “Inferno of Hexed Impieties” conclui de forma primorosa este que, sem a menor sobra de dúvida, configura num dos melhores splits do ano (isso por que nem chegamos no carnaval). Perversão, degradação, violência e horror: “Unburied Repugnance” é tudo isso e muito mais. Pra comprar agora e ouvir até liquefazer o cérebro!
Ricardo L. Costa (Colaborador)





