Ibaraki – “Rashomon” (2022)

open-uri20220414-1321-1usymxg
Compartilhe

Ibaraki“Rashomon” (2022)
Nuclear Blast Records |  Shinigami Records
#BlackMetal, #ExtremeMetal, #ProgressiveMetal, #SymphonicBlackMetal

Para fãs de: Ihsahn, Enslaved, Opeth, Emperor

Nota: 9,0

Levaram 12 anos até que o projeto solo de Matthew Heafy, chamado Ibaraki, saísse do papel e tomasse forma. Inicialmente o guitarrista e vocalista do Trivium imaginava suas canções na vertente do Black Metal mais ligadas a segunda onda do estilo que surgiu na Noruega, porém ao entrar em contato com Ihsahn ele começou a explorar uma sonoridade mais parecida com a que o líder do Emperor fez em seu projeto solo.

A escolha de Matt por chamar seu projeto de Ibaraki (um mítico demônio japonês) reverbera em sua identidade nipo-americana e se torna um passo definitivo para ele se apropriar de suas aspirações pelo Black Metal. A presença de Ihsahn é grande durante todo o álbum, onde além de produzir, ele co-escreveu algumas músicas e fez várias aparições diretas nos vocais e nas guitarras, mas “Rashomon” tem sua própria identidade. O álbum é bem enraizado no Black Metal, mas tem uma visão bem mais ampla da música em si. Não espere saxofones saindo de sua caixa de som, mas o disco tem uma mentalidade com um alcance maior na área experimental e emocional.

Após a abertura com “Hakanaki Hitsuzen”, um tipo de valsa que já derruba os mais puristas do estilo ao esperarem uma abertura mais fria e fantasmagórica, “Kagutsuchi” surge de forma brutal apresentado blast beats, guitarras em tremolo e até mesmo passagens com camadas orquestrais. A música ainda apresenta um lado Prog/Death com o som e os vocais se aproximando muito do que o Opeth fazia em seus primeiros discos. A faixa seguinte, “Ibakari-Doji” traz uma aura de Emperor em seu início, apresentando um Black Metal como estamos acostumados, e mostra que Heafy tem os vocais rasgados na medida para o estilo. Quase na metade da faixa ela altera novamente o andamento, dando passagem a sons acústicos e uma orquestra, assim como aos vocais limpos e potentes de Heafy.

“Akumu” nos brinda com a participação mais do que especial de Nergal, do Behemoth. A faixa tem um andamento e aura que parece ter sido escrita pelo próprio Nergal. Ela certamente encaixaria em um álbum dos poloneses e é um dos destaques do disco. Outro grande destaque, e que é uma grata surpresa, é a presença de Gerard Way, do My Chemical Romance, na faixa “Ronin”. Ele entrega uma performance com gritos tão potentes que você se pergunta como ele conseguiu mantê-los escondido por tanto tempo.

Apesar dessas aparições, nada apaga a presença do líder do projeto, alguém com uma abundância de talento e que finalmente produziu o disco em que trabalhou tanto por tanto tempo. Os companheiros de Matt no Trivium, na forma do baterista Alex Bent, o baixista Paolo Gregoletto e o guitarrista Corey Beaulieu, aparecem em várias faixas e ajudam a dar forma a essa jornada lírica que mistura mitologia japonesa com temas mais contemporâneos. É uma abordagem que ajuda a tornar o Ibaraki ainda mais diferenciado, como se o projeto precisasse.

Agressiva, expansiva e repleta de floreios inventivos, esta é uma joia finamente trabalhada de um fã ardente e estudante de todas as coisas pesadas. E “Rashomon” é, simplesmente, um trabalho impressionante.

Lucas David

Patrocinadores

Compartilhe
Assuntos

Veja também