Cystoblastosis
– “Post-Mortem Examination Of Putrid Corpse” (2017)
Cemitério Records | Old Grindered Days Recs | Gore Grind Noise Records
#Goregrind
Nota: 8,5
“Just Sick Music…For Sick Minds”. Muito mais que um jargão publicitário, um lema de vida! Obedecendo essa filosofia, a Cemitério Records, em parceria com outros dois selos independentes, o Old Grindered Days Records e o GoreGrind Noise Records, acabam de “excretar” no mercado seu mais novo lançamento: “Post-Mortem Examination Of Putrid Corpse”.
O trio russo responsável por essa abominação sonora atende pelo nome de Cystoblastosis e é bem pouco conhecido por essas terras, porém, se depender deste cartão de visita, logo será notória a sua presença nos lares brasileiros, nem que seja pra causar repulsa. Brincadeiras à parte, como é de se esperar, a banda se espelha no que há de mais grosseiro, fétido, viscoso e deteriorado no mundo para criar música.
É Goregrind da mais fina estirpe, sem a presença de baixo, o que de certa forma é até comum em recentes formações do gênero que prezam pelo minimalismo instrumental em favor de um som mais rústico, basicamente uma prerrogativa nesta subdivisão mais extrema e abjeta. São 32 atos insanos e perturbadores, muito breves (se o álbum todo chegar a meia hora é muito), forjados em total distorção, peso e brutalidade, que o faz questionar como é possível uma simpática e aparentemente frágil mocinha bonita, chamada Olga, proferir todos aqueles grunhidos e urros com tamanha desenvoltura? Ou ela conta com apoio de algum pedal de distorção muito potente, ou é a encarnação de um urso com crise renal. Impressionante!
O lirismo é aquela beleza de sempre: um tour pelo mais obscuro e clandestino necrotério que você possa imaginar. Só pra você sacar o que vai encontrar por aqui: “Acid-Resistant Bacteria”, “Cystosarcoma Phylloides”, “Primary Atrial Fibrosarcoma Of The Heart”, e por aí vai. É quase um manual prático para formação de peritos médicos e auxiliares de necropsia. Além de tudo isso, a produção de “Post-Mortem Examination of Putrid Corpse” é correta e valoriza ainda mais o peso do material, deixando o som totalmente inteligível e tornando possível a distinção de cada detalhe, obviamente com exceção do vocal, que nesse caso precisa ser daquele jeito mesmo.
Bom, apresentação feita, só quero salientar que o Cystoblastosis traz exatamente aquilo que se espera de uma formação do gênero. Entretém muito bem, causa asco, controvérsia, mas se não for pra ser assim, melhor cantar em coral infantil de igreja. Aprovado por fãs de Carcass, Last Days of Humanity, Rompeprop e Lymphatic Phlegm.
Ricardo L. Costa





