Høstsol – “Länge Leve Döden” (2023)
Avantgarde Music
#BlackMetal
Para fãs de: Shining, Enslaved, Djevel, Emperor, Satyricon
Nota: 10
O álbum de estreia de Høstsol, “Länge Leve Döden”, ou “Long Live Death”, é um dos melhores álbuns de Black Metal que você ouvirá. Esta obra corta você como uma foice e o deixa sem ar, e o primeiro pensamento que você teria é o de algo sombrio e ameaçador, mas “Länge Leve Döden” é tão bonito que você ficará encantado.
A banda começou em 2020 com Niklas Kvarforth (Shining) e Cernunnus (Manes) nos vocais e guitarra, respectivamente. A dupla foi acompanhada por Kalmos (ex-Barathrum) no baixo e seu colega na banda Ajattara (e ex-membro do Shining), o baterista Rainer Tuominkanto. Essa formação apresentou um trabalho tão consistente, principalmente pelas contribuições de Rainer, que acabou deixando todos de queixo caído. Acrescente nessa lista a masterização feita pela lenda Andy LaRocque (King Diamond) e você tem um álbum que vai além de qualquer expectativa.
“Länge Leve Döden” consiste em cinco canções que foram escritas ao longo de dois anos. Embora o álbum pretenda evocar o espírito do início dos anos 90, este clássico instantâneo soa como se fosse de outra época. Como se pode esperar, uma das armas mais letais do disco é a performance vocal e alucinante de Niklas Kvarforth. A demonstração tão concentrada de força e sofrimento de Kvarforth deixará qualquer ator envergonhado. Ele é como uma divindade enlouquecida, capaz de arrancar completamente sua máscara humana e apresentar toda a feiura de um vazio interior. Quem não conhece seu trabalho com o Shining deveria deixar como prioridade, já que com sua banda Niklas expõe ainda mais esse lado sombrio, depressivo e belo.
As cinco composições são longas e com isso o álbum chega a aproximadamente aos 44 minutos e meio, porém de uma forma tão hipnotizante que voa na velocidade da luz. Nesse período temos toques atmosféricos e cinematográficos, porém essa relativa calmaria unida a fúria molda uma tempestade magistral. Existem alguns momentos felizes, como em “Länge Leve Den Ansiktslöse Mördaren”, enquanto “As Seen Through The Eyes of The Prophet” leva você diretamente a gélida Noruega, as florestas e a sensação de anos 90 que foi comentada anteriormente.
“Det Som En Gång Var (Det Kommer Aldrig Igen)” traz partes menores de calmaria, e cria um ataque feroz de todos os integrantes, com as guitarras despejando riffs, uma bateria insana e o baixo saltando na cara. Felizmente para os ouvintes, todas as faixas são incríveis e vale a pena o repeat em todas elas após o término. Esse é o tipo de álbum que não dá para pular nenhuma faixa, devido a construção que ele faz e o envolvimento que garante a cada um.
Embora Niklas afirme na faixa de abertura, “As Seen Through The Eyes of The Prophet”, que “a vida humana vale menos que nada…” o monumental “Länge Leve Döden” prova que algumas coisas na vida têm valor infinito. Ouça essa obra prima e deixe que ela tome conta de sua vida, seja no desespero quanto na paixão que só a música pode criar.
Lucas David





