
AHAB – “Live Prey” (2020)
Napalm Records
#FuneralDoomMetal, #SludgeFuneralDoomMetal, #PostMetal
Para fãs de: Asunder, Aldebarán, Bell Witch
Nota: 9,0
Ouvir cada um dos lançamentos do germânico Ahab é por si só uma experiência; é ser tragado para dentro de densas e profundas atmosferas – é imergir de forma plena em mares antigos e misteriosos, detentores de lendas, de infortúnios e de tempestades que tormam lendas àqueles que neles aventuram-se.
Formada, a princípio por membros e ex-membros do Midnattsol, a banda já soma vinte anos de existência e já possui quatro álbuns lançados – devidamente e dignamente aclamados por fãs e críticas – “The Call Of The Wretched Sea”, “The Divinity Of Oceans”, “The Giant” e “The Boats Of the Glen Carrig”, todos estes a portar as características marcantes à banda: solenes marchas, riffs opulentos e as vocalizações abissais e potentes de Daniel Droste.
“Live Prey” captura a banda em um show memorável realizado em 2017 no Death Row Fest, na Alemanha.
Show esse onde ela mostra toda sua sinergia ao vivo e também sua capacidade de transportar os fãs para
dentro de suas composições e dos cenários que são construídos no interior das mesmas.
A escolha do repertório é de encher olhos e ouvidos pois abrange apenas o clássico primeiro album “The Call Of The Wretched Sea” (2006), que é baseado no best seller “Moby Dick” de Herman Melville. Ao todo são 05 faixas colossais, executadas com o primor já habitual. A captura do áudio é minuciosa sendo fiel à performance da banda, tendo também preservado os detalhes e texturas, maximizado o peso e acentuado a imponência de cada composição apresentada, vide a monumental trindade inicial: “Below The Sun”, “The Pacific” e “Old Thunder”. Outro ponto fora da curva é “The Hunt”, com seus mais de dezesseis minutos de pura apoteose e ambientes apocalípticos.
Discos ao vivo de Doom Metal raramente capturam o sentimento que é forjado em estúdio, são camadas e nuances sutis que por vezes perdem-se em meio ao público, ainda que involuntariamente; “Live Prey” é o oposto, pois ele é uma fotografia com som, cabendo ao ouvinte transportá-la, recria-lá e apreciá-la apenas em sua mente. Disco necessário à coleção dos fãs e entusiastas do gênero, no caso do Ahab – o “Nautik Funeral Doom Metal.”
Fábio Miloch





