Behemoth – “Opvs Contra Natvram” (2022)

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Behemoth“Opvs Contra Natvram” (2022)
Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#BlackMetal, #BlackenedDeathMetal

Para fãs de: Belphegor, Watain, Dark Funeral

Nota: 9,5

Muitas bandas lançam um disco e ele instantaneamente se torna um clássico, mesmo que não seja o primeiro de uma grande lista de discos. O Behemoth surgiu nos anos 90 e foi mantendo um ritmo forte e constante em seus novos álbuns, mas foi em 2014 com “The Satanist” que a banda alcançou seu ápice, fazendo um dos melhores álbuns do ano e do metal extremo no geral. A pedrada seguinte, “I Love You At Your Darkest” manteve o tom e mostrou faixas monstruosas com “Wolves of Siberia”, “God=Dog” e “Bartzabel”. Ambos os álbuns mostraram que o Black Metal não é só velocidade e blast beats, mas que tem espaço para muita melodia, passagens mais lentas e atmosféricas e cheias de atitude.

Dito isso, podemos falar de sua mais nova criação, “Opvs Contra Natvram”, lançado via Nuclear Blast e no Brasil pela Shinigami Records. Já abordando uma questão mais pessoal deste redator, sou um grande fã da banda e aprecio muito o que a banda fez durante anos, colocando-se em uma posição alta em minhas preferências. Agora na parte mais crítica, o que temos aqui é mais um álbum sólido da banda, que manteve a receita dos discos anteriores, buscou elementos de seus primórdios e manteve o reinado do Behemoth no trono do metal extremo.

A abertura com “Post God Nirvana” é uma faixa lenta, mas sua atmosfera filosófica e com toques ritualísticos ajudam a montar o cenário para “Malaria Vulgata”, uma faixa com uma barreira de riffs malignos, estrondosos que traz o inferno para os ouvidos, aliados aos vocais mais do que monstruosos de Nergal. “The Deathless Sun” é uma das melhores faixas do disco, com cantos melancólicos dando base para a adoração de Nergal ao citado “Sol”, solos excelentes do vocalista e do guitarrista Seth e com a bateria de Inferno apresentando viradas, blast beats e ritmos perfeitos para uma canção violenta como essa.

O single “Ov My Herculean Exile” mostra como a base do Black Metal realmente ajuda a faixa a parecer ainda mais impactante e apresenta mais dois solos perfeitos, com o já mencionado Seth tendo um destaque, não só nessa faixa, mas em todas e a presença do guitarrista é fortemente sentida. O baixo de Orion também é pesado e tem seu destaque nas faixas, não ficando atrás dos outros instrumentos, e aparecendo com seus backing vocals poderosos. “Off To War!” faz jus a seu nome graças as orquestrações arrebatadoras e mais uma enxurrada de riffs que acabam com qualquer um.

“Neo-Spartacus” apresenta uma levada de Blackened Death Metal com diversos riffs em diversos ritmos e complementam os blast beats de Inferno. A faixa tem uma letra bem forte que tem como inspiração o gladiador de mesmo nome, que foi um dos rebeldes mais conhecidos de todos os tempos, mas que também mostra que todos podem se rebelar e ir contra algo que não acreditam, que possam ter sua voz ouvida. “Disinheritance” atinge o ouvinte com a força de uma bomba atômica e devemos dar destaque aos vocais de Nergal, que se mantém em uma potência incrível e alterna bem entre o mais limpo e o mais gutural.

“Once Upon a Pale Horse” tem guitarras cheias de groove e com uma força que baterá de frente com todo seu corpo. “Thy Becoming Eternal” retorna com a velocidade e a violência e se mostrou um grande acerto ao ser lançada como single devido sua força. A faixa que encerra o álbum é “Versus Christus”, e sem dúvidas acaba sendo a peça mais intrigante do disco, com um ritmo mais moderado, pelo menos na maior parte de seus seis minutos e meio de duração, e foco em vocais limpos e o toque de piano em sua introdução, a música é um pouco chocante na primeira audição, mas faz o ouvinte desejar ouvi-la novamente.

“Opvs Contra Natvram” é exatamente o que esperamos do Behemoth nos últimos tempos, mas isso não diminui sua qualidade. Este é um disco que sabe certamente o que está tentando alcançar e, ao longo de seu tempo de execução, Nergal e seus companheiros despacham explosão após explosão de sua supremacia no metal extremo. Pode não ser um divisor de águas tão grande quanto “The Satanist”, mas “Opvs Contra Natvram” ainda é um dos lançamentos mais fortes do ano e mais uma amostra da força do Black Metal no mundo atual.

Lucas David

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