
Beyond Chaos – “Memories From Last December” (2020)
Independente
#DeathMetal, #BlackMetal, #MelodicDeathMetal
Para fãs de: Dark Tranquillity (antigo), Arch Enemy (antigo), Desdominus, Carcass
Nota: 8,5
Creio que sejam bandas como essa que me mantém em conexão com o Undergound, não apenas por sua forma de trabalhar a arte, mas por conseguirem ver e ir além dos estereótipos. E o mais importante, a meu ver e/ouvir, por colocarem verdade em seus álbuns – e não apenas verdade, mas coração e honestidade.
O Beyond Chaos traz todas essas qualidades, visto que Thiago Alboneti faz da banda seu laboratório, o seu confessionário e seu altar de entrega.
O músico (multi-instrumentista) de Osasco sofre de crises de criação ininterrupta, visto que sua banda é uma das mais ativas que já conheci/ouvi: “Memories From Last December” é o seu mais recente trabalho, sendo seu terceiro álbum e o segundo a ser lançado apenas nesse ano sucedendo, “Home, Sweet Prison”, que foi concebido em seu início. (Como queria eu ter uns décimos dessa criatividade toda.)
“Memories From Last December” é um álbum igual a muitos outros, em suas proporções, linguagem e no modo como foi trabalhado, mas ao mesmo tempo, é
diferente de tudo – “de um ambiente mental para um ambiente físico.” Digamos que seja um album onde a criatividade e suas abstrações compartilham de uma só lógica: ser agressivo e técnico, mas com abertura à melodia e um leve “appeal” atmosférico.
Dentre suas dez faixas, sendo “The Calm Before The Storm” uma intro e “The Forgotten” um interlúdio – o que ouvimos é muito daquela “ignorância” em forma pura, típica Death Metal ortodoxo, mas combinada a novelos melódicos típicos dos anos noventa; leia-se Suécia (e seus gentios do Melodic Death Metal.)
Há inúmeros destaques como por exemplo: a épica e esmagadora “Eu Sunt Dracul”: a violenta e técnica “A Happy Family”: o desencadear de de peso e fúria que é a faixa título “Memories From Last December”, cito ainda a contida e bem trabalhada “Meaningless Life”.
Enfim, um excelente disco permeado por excelentes composições – coesas e engenhadas com esmero.
Todavia exclui duas faixas, não por serem ruins, mas por serem os dois picos do trabalho: “I, The Outcast” e “Not A Romance Or Poetry”– ambas por abordarem temas delicados e atuais desde sempre, embora vez ou outra sejam banalizados: a primeira traz letras de Silas Rodrigues (editor do Whiplash) e trata sobre as consequências do bullying: já a segunda por sua vez tem como abordagem a depressão e o convívio com a mesma. No roteiro do mundo real, os personagens sangram e sofrem de forma silente, nos cenários em p&b, mas com direito a claques.
Memories From Last December é o resultado de uma mente altamente criativa e inquieta: inspirado e forte, técnico e furioso. Há luas de ser pandemônio sonoro ilógico apenas, mas traduzindo de forma crua e pura o caos da mente, feridas urbanas, dores silenciosas e povoadas. Disco indispensável àqueles que acham que Heavy Metal (Metal Extremo) é apenas barulho.
Fábio Miloch





