Black Star Riders
– “Heavy Fire” (2017)
Nuclear Blast
Nota: 9,0
O primeiro álbum do Black Star Riders, “All Hells Breaks Loose” (2013), germinou como um trabalho do Thin Lizzy, mas nasceu anunciando o supergrupo que obviamente tinha na alma a marca das tradicionais guitarras gêmeas e incorporava Phil Lynott nos vocais.
Neste cenário, “The Killer Instinct” (2015), veio na sequência e, além de superar o anterior em qualidade, trazia um pouco mais de identidade, diminuindo a sombra do passado sobre suas composições e aumentando o lado passional enquanto olhavam por um futuro com mais personalidade.
Neste contexto, “Heavy Fire” é, aos meu ouvidos, o ponto mais importante – não necessariamente o melhor- da discografia do Black Star Riders até o momento, afinal, acredito que aqui eles encontraram de vez sua personalidade musical.
Obviamente, isso não faz de “Heavy Fire” o melhor trabalho da banda, mas não dá pra negar que tenha potencial para tanto com o passar do tempo!
Musicalmente, as harmônias das guitarras gêmeas de Scott Gorham e Damon Johnson ainda estão por aqui, assim como as referências folk dos riffs, ou as melodias grudentas e envolventes, tanto dos arranjos quanto dos vocais maliciosos e “etilicamente” curtidos de Ricky Warwick, todavia, a abordagem tem um novo sabor, numa performance mais solta, levemente mais suja e abusando mais de uma certa não linearidade, sendo exatamente nestes elementos onde a mão do produtor Nick Raskulinecz pode ser mais sentida.
Acredito que aqueles que esperam a simplicidade natural ao estilo da banda irão se assustar com o riffão “malvado” da faixa título (numa pegada meio stoner rock), ou com a fúria instrumental de “Who Rides The Tiger” (melhor do álbum disparada!), mas verão que a paixão, a malícia e a emoção continuam intactas!
Junto a estas duas faixas, “Ticket to Rise”, “Thinking About You Could Get Me Killed” e “Letting Go Of Me” resumem muito bem este crescimento na personalidade do Black Star Riders.
Agora, é impossível não citar pérolas simples como “Dancing With The Wrong Girl” e “Cold War Love”, que seriam hits radiofônicos num mundo perfeito, além das esperadas, mas eficientes, “Testify or Say Goodbye” e “When the Night Comes In”.
No mais, fica a sensação de que cruzaram de vez a linha de banda tributo/revival, sem cortar o diálogo musical com o passado, tão arraigado em sua trajetória, mas também olhando para o futuro e solidificando o Black Star Riders como uma parte poderosa do Hard Rock atual!
Marcelo Lopes Vieira





