Blackbraid – “Blackbraid I” (2022)

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Blackbraid – “Blackbraid I” (2022)

Independente
#BlackMetal, #FolkBlackMetal, #AtmosphericBlackMetal

Para fãs de: Gaerea, Uada, Mork, Wolves in The Throne Room

Texto por Lucas David

Nota: 9,0

O Black Metal sempre foi um território aberto para exploração, com bandas tomando rumos diferentes e colocando diversas influências no som das guitarras cortantes e vocais rasgados. Uma dessas banda que ganhou certo destaque é o Blackbraid, projeto solo do artista Sgah’gahsowáh (pronunciado SKA-Gah-SoW-Ah, um nome Mohawk que significa “Falcão-Bruxo”), que apresentou ao mundo um Black Metal atmosférico vindo das montanhas de Adirondack, Nova York. A banda fez progressos em todo mundo, atraindo fãs do gênero que se interessaram pelas raízes indígenas ressonantes da música, e pelos temas mitológicos que se assemelham às características e autenticidades dos nativos americanos. O primeiro single, “Barefoot Ghost Dance on Blood Soaked Soil” saiu em fevereiro de 2022, seguido do lançamento do primeiro álbum intitulado “Blackbraid I”, em agosto do mesmo ano, que certamente atendeu as expectativas dos fãs.

O álbum abre com “The River of Time Flows Through Me”, com um ataque épico de Black Metal, uma bateria cheia de blast beats e guitarras cheias de tremolo que produzem uma atmosfera única. A faixa apresenta também belas partes melódicas em certos momentos, parecendo vir de um mundo espiritual e sombrio. Já em “As The Creek Flows Softly By” somos apresentados ao lado mais indígena e de inspiração Folk do projeto. Através da mistura de instrumentação acústica, tubos de pano e uma rica ambientação, começamos a experimentar a beleza autêntica da paleta musical do Blackbraid. A adição dessas características, e como são passadas, servem como lembrete do ambiente que circula o artista e como elas desempenham um papel importante na criação de sua música.

A terceira faixa, “Sacandaga”, é a melhor do disco, retornando ao som áspero e clássico do Black Metal, com temas espíritas sendo ainda mais destacados pelas letras que contribuem para o ambiente nativo das músicas. Essa levada mais ríspida acompanhada pelos instrumentos folclóricos nativos permite que uma aura mística e fantasmagórica tome conta do ouvinte. Da mesma forma, “Barefoot Ghost Dance on Blood Soaked Soil” prevalece como se continuasse esta jornada espiritual sombria do Folk/Black Metal nativo. Mais uma vez, as letras acrescentam mais profundidade à narrativa dos nativos americanos, que parece ser construída em forma de crítica, já que a letra fala: ‘Tomada contra sua vontade/Feita para sofrer/Estupro e contaminação/De nossa mãe sagrada’, fortemente indicando a luta que acontece há anos pela liberdade que grande parte da história americana resolveu esconder.

A penúltima faixa, “Warm Wind Whispering Softly Through Hemlock at Dusk”, traz mais uma vez o lado Folk e atmosférico, com violões acústicos e uma guitarra distorcida que enche a música de melancolia e toques sinistros. Fechando o disco, “Prying Open The Jaws of Eternity”, tem uma levada mais cadenciada e Doom, com vocais brutais, de rosnados mais graves e gritos agudos. Depois de um tempo, ela retoma a velocidade selvagem das outras faixas, com uma seção de riffs poderosos e que vem tanto das montanhas da américa quanto das florestas gélidas da Escandinávia.

Não é sempre que o Folk Metal e o Black Metal são unidos de uma forma tão elegante e com uma narrativa tão poderosa, mas o Blackbraid mostrou que é possível, e conseguiu fazer de forma natural. Essa união da força nativo americana e do Black Metal tradicional está sendo muito bem cuidada por outras bandas, mas certamente é liderada por Sgah’gahsowáh, que tocou todos os instrumentos, deixando apenas a bateria para Neil Schneider (que também cuidou da gravação, mixagem e masterização). Como redator acabei deixando passar essa grande obra, mas já desfiz meu erro e afirmo que este é um disco essencial para os amantes do metal extremo, e para ficar marcado entre os grandes lançamentos. Recomendado!

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