Blood Incantation – “Absolute Elsewhere” (2024)
Century Media
#DeathMetal #ProgressiveDeathMetal
Para fãs de: Gorguts, Atheist, Nocturnus
Texto por Matheus “Mu” Silva
Nota: 9,0
Cinco anos após o aclamado “Hidden History of the Human Race” (2019), a banda norte-americana de Death Metal Blood Incantation chega ao seu terceiro e aguardado disco de estúdio, “Absolute Elsewhere” (2024), lançado via Century Media.
Uma das bandas mais “fora da caixinha” a surgirem nos últimos anos dentro da música extrema, o Blood Incantation, formado em 2011, vem acumulando cada vez mais admiradores ao longo dos anos, devido ao seu “Death Metal Psicodélico”, com temas que envolvem espaço, alienígenas e morte. O som dos caras é tão maluco que, em uma entrevista sobre o excelente “Hidden History of the Human Race” (2019), a banda mencionou que nem sabia como tocar as músicas, pois foram feitas meio que no improviso, de forma esparsa, e tiveram que reaprendê-las para gravar juntas. Isso é apenas um detalhe, pois a musicalidade apresentada em seus outros trabalhos, além do mencionado acima, como o debut “Starspawn” (2016) e o EP “Timewave Zero” (2022), demonstra uma composição muito rica. O EP, por exemplo, é todo feito de música ambient, algo incomum para uma banda de Death Metal, mas que, na cabeça deles, faz sentido. Agora, eles chegam ao seu terceiro disco de estúdio de forma mais madura (seja lá o que “maduro” realmente significa na mente deles). A banda permanece com a formação que originou o debut até hoje, com Paul Riedl (vocal), Morris Kolontyrsky (guitarra), Jeff Barrett (baixo) e Isaac Faulk (bateria), sendo que ele e o vocalista estão no projeto desde o início.
O disco possui apenas duas músicas, cada uma com pouco mais de 20 minutos, mas que são divididas em três movimentos, ou “tabletes”, como descreveram: “The Stargate” e “The Message”. A primeira ganhou um extenso videoclipe, quase um curta-metragem, que vale a pena ser assistido para dar mais contexto à música. O som soa como se aquele rock progressivo setentista, cheio de sintetizadores e sons incomuns, tivesse viajado no tempo e tropeçado no Death Metal no meio do caminho. Ou, ao contrário, como se a banda tivesse começado como Death Metal e viajado para os anos 70, onde usaram todo o ácido possível para encontrar a psicodelia apresentada no álbum. Acho mais provável a segunda ideia.
A primeira música, “The Stargate [Tablet I]”, tem pouco mais de oito minutos e é o movimento mais extenso. Começa com o lado mais extremo do Blood Incantation, com algumas dissonâncias, mas, a partir do segundo minuto, entram as passagens mais progressivas, deixando o peso e a velocidade de lado. A música volta 50 anos no tempo e abraça o que bandas como Triumvirat e até mesmo Pink Floyd faziam, com trechos mais complexos e cheios de sintetizadores, dando aquela sensação de viagem mental, até retornar à cadência mais Death Metal. “The Stargate [Tablet II]” conta com a participação de membros da banda ainda mais psicodélica Tangerine Dream, em uma faixa repleta de pura ambiência. Como mencionado, o videoclipe lançado faz com que a música funcione ainda melhor ao ser assistida. A terceira parte, “The Stargate [Tablet III]”, é mais Prog Death, priorizando brutalidade, vocais cheios de reverb e um timbre sujo, característico da banda, sendo a parte mais crua e coesa da música.
A segunda faixa, “The Message [Tablet I]”, traz um Death Metal mais intenso, com um trecho mais leve no meio. “The Message [Tablet II]” é mais progressiva, com um ótimo trabalho de bateria e passagens que lembram Cynic. Paul canta de forma limpa, o que dá à música um tom ainda mais setentista. O último movimento, “The Message [Tablet III]”, é a parte mais longa e fecha o disco de forma extrema e técnica, com um belo solo e uma atmosfera carregada.
“Absolute Elsewhere” mostra que o Blood Incantation não conhece limites, misturando gêneros distintos de forma única. Precisa e merece ser ouvido do início ao fim.





