Cattle Decapitation – “Death Atlas” (2019)

78156732_1517292301744382_4850789240092491776_n
Compartilhe

Cattle Decapitation “Death Atlas” (2019)
Metal Blade Records
#DeathMetal#Grindcore#BlackMetal#TechnicalDeathMetal

Para fãs de: Cephalic CarnageDying FetusSuffocationCryptopsyAborted

Nota: 9,5

Desde sua gênese, o Cattle Decapitation sempre foi uma banda diferenciada. Apesar de seguir uma linha estética e sonora muito bem definida, pontuada na brutalidade e grosseria tão comuns ao gênero, o grupo sempre foi engajado nas questões políticas, principalmente na militância vegana e na proteção aos animais. Filosofia nobre precisamente aplicada à música extrema.

A cada álbum lançado, a evolução técnica e harmônica da banda fica cada vez mais evidente, no entanto, o que houve em “Death Atlas” é algo que transcende a linha tênue do equilíbrio entre habilidade, peso e conceito. Abordando uma temática sensivelmente mais aprofundada, enraizada no contexto existencial, o Cattle Decapitation apresenta o que pode ser considerado seu trabalho mais ousado. Tudo ainda é muito extremo, denso, psicótico, mas sob uma ótica muito mais evoluída.

Denominar o grupo de Death Metal é insistir num erro crasso, pois o trabalho executado pela banda atualmente segue a anos luz disso. “Death Atlas” é épico, complexo, fragmentado, dissonante e mais alguns adjetivos que possamos utilizar. Não é um álbum de fácil assimilação, pois a cada nova audição ele se torna mais envolvente, onde novos detalhes são evidenciados e digeridos.

Death, Thrash, Industrial, Atmosférico, Black Metal? Tudo é permitido, absorvido e moldado em uma única sonoridade impactante. Cada peça deste quebra cabeça é fundamental no correto desenvolvimento das composições. Por algumas vezes, “Death Atlas” parece o trabalho de uma nova banda, mas, ao mesmo tempo, soa tão familiar, pois a identidade da banda já fora sedimentada em cima de tais preceitos.

Cada faixa causa um impacto distinto no ouvinte, que se questiona qual será o próximo passo. Como uma transmissão espacial, “Anthropogenic: End Transmission” dá início aos trabalhos de forma emblemática e a partir daí, meus amigos, a catarse tem início. Se “The Geocide” segue mais ou menos os padrões pré-estabelecidos, o mesmo não se pode dizer de “Be Steel our Bleeding Hearts”, com seu refrão harmonioso, melódico e com linhas sutis e eficientes de teclado.

Travis Ryan (vocal) demonstra uma versatilidade fora do comum em seu posto, pois transita entre o Gutural monstruoso, o rasgado e o grave imponente com igual desenvoltura, o que confere grande diversidade de climas ao álbum. Destacam-se ainda “One Day Closer to the End of the World”, profetizando o óbvio em uma música pesada, melancólica e absolutamente violenta, “Bring Back the Plague”, a breve – quase uma vinheta -, “The Unerasable Past” (muito emocionante), e o desfecho brilhante com a faixa título.

Se me estendi demais, peço desculpas ao nobre leitor por isso, mas “Death Atlas” é impossível de delimitar em poucas palavras. Só ouvindo atentamente e degustando cada nuance é que temos a real dimensão deste registro. O Cattle Decapitation acaba de fazer história. Obrigatório!

Ricardo L. Costa (Colaborador)

Compartilhe
Assuntos

Veja também